Uma série de ameaças de bomba contra aviões comerciais provocou pousos de emergência, desvios de rota e operações de segurança em diversos países da Europa nesta quinta-feira (5). Os episódios afetaram companhias aéreas internacionais e mobilizaram forças policiais, equipes especializadas em explosivos e aeronaves militares.
Ao longo da semana, mais de 20 voos foram afetados pelos alertas, segundo relatos reunidos pela imprensa internacional. Somente nesta quinta-feira, pelo menos 15 aeronaves enfrentaram ameaças ou alterações operacionais relacionadas aos incidentes.
Apesar da gravidade das ocorrências, nenhum explosivo foi encontrado nas aeronaves inspecionadas, e não houve registro de feridos.
As autoridades europeias investigam a origem das ameaças e procuram determinar se os episódios foram coordenados para provocar transtornos no transporte aéreo internacional.
Avião com destino à Itália é escoltado por caças franceses
Um dos episódios de maior repercussão envolveu um Airbus A320 da companhia aérea irlandesa Aer Lingus, que havia decolado de Dublin, na Irlanda, com destino a Roma, na Itália.
Durante o trajeto, a tripulação recebeu informações sobre uma possível ameaça de bomba e declarou emergência enquanto sobrevoava o território francês.
A Força Aérea francesa enviou caças militares para acompanhar a aeronave, que foi desviada para a base aérea de Évreux-Fauville, na região da Normandia.
O avião transportava 151 passageiros e seis tripulantes.
Após o pouso, todos desembarcaram em segurança, enquanto equipes especializadas realizaram inspeções na aeronave.
A Aer Lingus confirmou o desvio e informou que trabalharia para reorganizar a viagem dos passageiros até o destino final.
Voos de diferentes companhias são afetados
Os alertas atingiram diversas companhias aéreas e rotas internacionais, incluindo operações da Ryanair, Finnair, Wizz Air, LOT Polish Airlines e Aegean Airlines.
Entre os episódios registrados nesta quinta-feira estão:
Aer Lingus: voo de Dublin para Roma desviado para uma base militar na França.
Finnair: aeronave de Helsinque para Roma escoltada por caças militares até a capital italiana.
Wizz Air: voo de Milão para Varsóvia desviado para Viena, na Áustria.
Ryanair: voos procedentes de Copenhague e Madri receberam escolta militar e pousaram em Sófia, na Bulgária.
Ryanair: voo de Londres para Sófia foi desviado para Plovdiv, também na Bulgária.
LOT Polish Airlines: voo entre Varsóvia e Bruxelas foi alvo de alerta, mas conseguiu pousar no destino.
Aegean Airlines: aeronave de Tessalônica para Milão passou por procedimentos de segurança após o pouso.
Na República Tcheca, autoridades policiais também receberam ameaças envolvendo quatro voos com destino a Praga.
As aeronaves foram inspecionadas e os testes para identificação de explosivos apresentaram resultados negativos.
Outras ameaças já haviam sido registradas durante a semana
Os episódios desta quinta-feira não foram os primeiros.
Na segunda-feira (2), um voo da Wizz Air que partiu de Londres com destino a Sófia precisou ser desviado para Budapeste, na Hungria, após uma ameaça de bomba.
A aeronave foi acompanhada por caças militares, e equipes de emergência foram mobilizadas para o pouso.
Na terça-feira (3), novos alertas atingiram voos que operavam entre o Reino Unido, a Espanha, a Itália, a Polônia e a Bulgária.
Um avião da Ryanair que havia partido de Manchester, na Inglaterra, passou por inspeção após pousar em Múrcia, na Espanha.
Outros dois voos da mesma companhia, procedentes de Dublin e Lisboa, foram inspecionados no aeroporto de Fiumicino, em Roma.
Na Polônia, um voo da LOT que partiu de Londres precisou ser desviado para o aeroporto de Modlin, próximo a Varsóvia. O terminal chegou a suspender temporariamente suas operações durante os procedimentos de segurança.
Nenhum artefato explosivo foi encontrado nesses casos.
Autoridades britânicas classificam ameaças como falsas e maliciosas
A secretária de Transportes do Reino Unido, Heidi Alexander, afirmou que os alertas registrados em diferentes países europeus apresentam características de ameaças falsas e maliciosas.
Segundo a autoridade, mesmo quando não existe um dispositivo explosivo, as companhias aéreas e os órgãos de segurança precisam seguir todos os protocolos previstos para situações de risco.
Isso inclui possíveis mudanças de rota, mobilização de aeronaves militares, inspeção de passageiros e bagagens e interrupções temporárias nas operações aeroportuárias.
Essas medidas podem provocar atrasos, cancelamentos e custos elevados para companhias aéreas e aeroportos.
O objetivo principal, entretanto, é garantir a segurança dos passageiros e das tripulações.
Investigadores apuram possível ação coordenada
A repetição de ameaças em diferentes países levantou questionamentos sobre a possibilidade de uma campanha coordenada para prejudicar o transporte aéreo europeu.
Autoridades de segurança investigam mensagens enviadas por e-mail e outros meios de comunicação que teriam provocado os alertas.
Algumas ameaças foram atribuídas, nas mensagens recebidas, a grupos que afirmavam defender determinadas causas ideológicas. Entretanto, os investigadores ainda não confirmaram a identidade dos responsáveis nem a existência de uma ligação entre todos os episódios.
O caso também ocorre em um contexto de preocupação crescente com operações de sabotagem, ataques cibernéticos e outras ações de interferência em infraestruturas europeias.
Especialistas em segurança utilizam a expressão guerra híbrida para descrever estratégias que combinam diferentes métodos de pressão e desestabilização.
Apesar das suspeitas levantadas, não há confirmação de que as ameaças contra os voos tenham sido organizadas por um governo estrangeiro ou por uma única organização.
União Europeia reforça troca de informações de segurança
Diante da sequência de incidentes, autoridades europeias intensificaram a cooperação entre órgãos responsáveis pela segurança da aviação civil.
A União Europeia acionou mecanismos de compartilhamento de informações para permitir que os países envolvidos acompanhem os alertas e identifiquem possíveis padrões.
A iniciativa busca facilitar a comunicação entre aeroportos, companhias aéreas, forças policiais e serviços de inteligência.
As autoridades também procuram identificar a origem das mensagens e verificar se os responsáveis utilizaram métodos semelhantes para atingir diferentes voos.
Até o momento, as investigações continuam, sem confirmação pública sobre a autoria das ameaças.
Passageiros devem acompanhar informações das companhias aéreas
Apesar dos incidentes, o transporte aéreo europeu continua funcionando, com interrupções pontuais em aeroportos e rotas afetadas.
Os passageiros com viagens programadas para a Europa são orientados a acompanhar os comunicados oficiais das companhias aéreas e verificar eventuais alterações de horários.
As autoridades ressaltam que os procedimentos de segurança são adotados mesmo quando existe suspeita de que uma ameaça seja falsa.
A sequência de ocorrências chamou a atenção para a vulnerabilidade do transporte aéreo diante de alertas que, mesmo sem a presença de explosivos, podem provocar grandes mobilizações de emergência.
Todos os aviões envolvidos nos episódios relatados pousaram em segurança, e as inspeções realizadas até agora não identificaram explosivos.
As investigações continuam para determinar quem está por trás das ameaças e se existe alguma ligação entre os incidentes registrados em diferentes países europeus.
