Buscar

Vacina personalizada contra o câncer apresenta resultado histórico em estudo de fase 3 contra melanoma


Uma vacina experimental personalizada contra o câncer desenvolvida pela Moderna em parceria com a Merck apresentou resultados positivos em um grande estudo de fase 3 envolvendo 1.137 pacientes com melanoma de alto risco, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. Os resultados foram anunciados nesta quarta-feira, 19 de agosto, e representam um avanço importante para o uso da tecnologia de RNA mensageiro no tratamento do câncer.

O tratamento, chamado intismeran autogene (V940/mRNA-4157), foi administrado junto com o Keytruda (pembrolizumab), imunoterapia da Merck já utilizada contra diferentes tipos de câncer. Os participantes tinham melanoma nos estágios IIB a IV que havia sido completamente removido por cirurgia, mas continuavam apresentando risco elevado de a doença retornar.

Estudo conseguiu atingir os dois principais objetivos

No estudo, os pesquisadores compararam pacientes tratados com intismeran mais Keytruda com aqueles que receberam Keytruda e placebo.

Segundo Moderna e Merck, uma análise intermediária mostrou que a combinação produziu uma melhora estatisticamente significativa e clinicamente relevante em dois pontos considerados fundamentais: o tempo sem o retorno do câncer e o tempo sem o surgimento de metástases distantes.

Isso significa que, entre os pacientes analisados, o tratamento experimental foi superior ao Keytruda sozinho tanto para impedir ou retardar o retorno do melanoma quanto para evitar que a doença se espalhasse para outras partes do organismo.

As empresas ainda não divulgaram os percentuais detalhados da fase 3. Os resultados completos deverão ser apresentados em um congresso médico e submetidos às autoridades reguladoras. Também não foram identificados novos sinais importantes de segurança na análise anunciada nesta quarta-feira.

Uma vacina feita especialmente para cada paciente

O que torna a tecnologia diferente é que não existe uma única vacina igual para todos os pacientes.

Após a retirada do tumor, os pesquisadores analisam suas características genéticas para identificar mutações específicas. A partir dessas informações, é produzida uma terapia de RNA mensageiro individualizada, projetada para ensinar o sistema imunológico daquele paciente a reconhecer determinadas características das células cancerígenas e atacá-las.

Por isso, apesar de ser frequentemente chamada de "vacina contra o câncer", a intismeran não é uma vacina preventiva tradicional, como as utilizadas contra gripe ou Covid-19. Trata-se de uma terapia experimental individualizada destinada a pacientes que já tiveram câncer.

11113354399121

Resultados anteriores já eram promissores

A expectativa em torno da fase 3 aumentou depois dos resultados obtidos em um estudo anterior de fase 2b.

Após aproximadamente cinco anos de acompanhamento, a combinação de intismeran com Keytruda apresentou uma redução de 49% no risco de recorrência do câncer ou morte, em comparação com o Keytruda sozinho.

Nesse mesmo acompanhamento, o risco de metástase distante ou morte foi reduzido em 59%.

A confirmação de benefício em um estudo muito maior de fase 3 é considerada especialmente importante porque essa etapa costuma ser uma das últimas e mais rigorosas antes de um possível pedido de aprovação de um novo tratamento.

Tratamento ainda não está disponível ao público

Apesar dos resultados positivos, a intismeran continua sendo uma terapia experimental.

Moderna e Merck informaram que pretendem discutir os resultados com autoridades reguladoras. Isso significa que ainda será necessário passar pelo processo de avaliação dos órgãos responsáveis antes que o tratamento possa eventualmente chegar aos pacientes como uma terapia aprovada.

Portanto, o anúncio desta quarta-feira não significa que uma vacina contra o melanoma já esteja disponível em hospitais ou clínicas.

Tecnologia pode ir além do melanoma

O potencial da plataforma também está sendo estudado em outros tumores.

Moderna e Merck mantêm um amplo programa de desenvolvimento clínico da intismeran, incluindo pesquisas envolvendo câncer de pulmão, bexiga e rim, além de diferentes situações e estágios da doença.

O resultado obtido contra o melanoma é especialmente relevante porque demonstra, em um grande estudo de fase 3, que uma terapia personalizada de RNA mensageiro pode melhorar resultados quando adicionada a uma imunoterapia já estabelecida.

Agora, pesquisadores aguardam a apresentação dos números completos do estudo, enquanto Moderna e Merck avançam nas discussões sobre os próximos passos regulatórios.

Se os resultados forem confirmados nas análises finais e o tratamento receber aprovação, a tecnologia poderá abrir uma nova etapa na chamada medicina personalizada, na qual determinadas terapias contra o câncer são desenvolvidas levando em consideração as características específicas do tumor de cada paciente.