A cantora e atriz Selena Gomez revelou que enfrentou uma longa dependência de cigarros eletrônicos e acredita que o uso frequente de vape provocou mudanças em sua voz. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a artista contou que deixou de utilizar o dispositivo recentemente, mas reconheceu que abandonar a nicotina foi um processo difícil.
Selena afirmou que utilizou cigarros eletrônicos durante muito tempo e acredita que os efeitos do hábito podem ter provocado alterações permanentes em sua voz.
A cantora aproveitou o relato para alertar seus seguidores, especialmente os jovens que utilizam vape ou pensam em experimentar o dispositivo.
O depoimento reacendeu a discussão sobre os efeitos dos cigarros eletrônicos na saúde, principalmente os riscos de dependência e os possíveis danos às cordas vocais.
Embora muitas pessoas considerem o vape uma alternativa menos prejudicial ao cigarro convencional, especialistas alertam que o aerossol inalado contém substâncias capazes de irritar as vias respiratórias e comprometer diferentes funções do organismo.
Selena Gomez conta que foi difícil abandonar o vape
Durante o vídeo, Selena Gomez falou abertamente sobre a dependência de nicotina e os efeitos que percebeu na própria voz.
A artista afirmou que usou cigarro eletrônico por um período prolongado e acredita que isso contribuiu para modificar suas características vocais.
Ela também reconheceu que parar de consumir nicotina foi mais difícil do que imaginava.
Selena aconselhou os seguidores a não começarem a utilizar o dispositivo, destacando que a experiência não compensou os problemas enfrentados.
A cantora não apresentou, no relato divulgado, um diagnóstico médico que comprove que a alteração de sua voz seja permanente ou causada exclusivamente pelo vape.
Entretanto, a relação entre o uso de cigarros eletrônicos e a irritação das vias respiratórias é uma preocupação reconhecida por profissionais de saúde.
Como o cigarro eletrônico pode mudar a voz?
As cordas vocais são estruturas localizadas na laringe que vibram com a passagem do ar, permitindo a produção dos sons utilizados na fala e no canto.
Para funcionar adequadamente, elas precisam manter condições apropriadas de hidratação e mobilidade.
O aerossol produzido pelos cigarros eletrônicos passa pela garganta e pela laringe durante a inalação.
Esse aerossol pode conter nicotina, propilenoglicol, glicerina, aromatizantes e outras substâncias formadas durante o aquecimento do líquido.
A exposição frequente pode provocar irritação, ressecamento e inflamação das vias respiratórias.
Quando a laringe fica inflamada, a vibração das cordas vocais pode ser prejudicada, provocando rouquidão, alterações no tom da voz, desconforto e dificuldade para falar ou cantar.
Em algumas situações, os sintomas podem melhorar após a interrupção do uso. Entretanto, alterações persistentes precisam ser avaliadas por um médico otorrinolaringologista.
Ainda não é possível afirmar que toda mudança vocal relacionada ao vape seja definitiva. Os efeitos dependem de fatores como frequência de uso, duração da exposição e condições individuais de saúde.
Uma carga de vape pode conter nicotina equivalente à de dezenas de cigarros
Um dos principais riscos dos cigarros eletrônicos é a quantidade de nicotina que determinados dispositivos conseguem armazenar e liberar.
Alguns produtos utilizam sais de nicotina, formulações que permitem a inalação de concentrações elevadas com menor sensação de irritação na garganta.
Dependendo do modelo, da concentração do líquido e da quantidade consumida, um dispositivo pode conter dezenas de miligramas de nicotina.
Por exemplo, um reservatório com 1 mililitro de líquido na concentração de 50 miligramas por mililitro contém 50 miligramas de nicotina.
Esse valor representa a quantidade presente no líquido, não necessariamente a quantidade absorvida pelo organismo.
Por isso, comparar diretamente uma carga de vape a 50 cigarros convencionais pode ser impreciso. A exposição real depende da quantidade inalada, da eficiência do dispositivo e do comportamento do usuário.
Mesmo assim, especialistas alertam que produtos com altas concentrações de nicotina podem favorecer o desenvolvimento e a manutenção da dependência.
Por que o vape pode causar dependência tão rapidamente?
A nicotina é uma substância que atua diretamente no sistema nervoso e possui elevado potencial de dependência.
Ao chegar ao cérebro, ela estimula mecanismos relacionados à sensação de recompensa, favorecendo a repetição do consumo.
Com o uso frequente, o organismo pode desenvolver tolerância, fazendo com que a pessoa sinta necessidade de consumir nicotina com maior regularidade.
Quando o usuário tenta interromper o hábito, podem surgir sintomas de abstinência, como irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, alterações no sono e vontade intensa de voltar a utilizar o produto.
A facilidade de transportar e utilizar cigarros eletrônicos também pode contribuir para o consumo frequente ao longo do dia.
Diferentemente do cigarro convencional, que possui um início e um fim definidos, muitos dispositivos eletrônicos permitem sucessivas tragadas sem que o usuário perceba claramente a quantidade consumida.
Essa característica pode aumentar a exposição à nicotina e dificultar a interrupção do hábito.
Pesquisa brasileira encontrou níveis elevados de nicotina entre usuários de vape
Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto do Coração (Incor), em parceria com instituições ligadas à Universidade de São Paulo, analisou a exposição à nicotina entre usuários de cigarros eletrônicos.
Segundo os resultados apresentados na reportagem original, os níveis de nicotina identificados em alguns participantes chegaram a ser seis vezes maiores do que os observados em fumantes de cigarros convencionais.
A pesquisa também chamou a atenção para o perfil dos participantes, com predominância de adultos jovens.
Entre os relatos analisados, houve casos de dependência intensa após poucos meses de utilização.
Os resultados reforçam a preocupação dos pesquisadores com a exposição de jovens à nicotina, especialmente daqueles que nunca haviam fumado cigarros tradicionais.
Os achados, entretanto, não significam que todos os usuários de vape absorvam seis vezes mais nicotina. A exposição varia conforme o dispositivo, a concentração e a frequência de uso.
Outras famosas brasileiras também relataram problemas na voz
Selena Gomez não é a única artista a associar o uso de cigarros eletrônicos a problemas vocais.
No Brasil, a cantora Solange Almeida, conhecida por sua trajetória no grupo Aviões do Forró, já relatou complicações envolvendo a voz e o uso de vape.
A influenciadora Vanessa Lopes, ex-participante do Big Brother Brasil, também compartilhou experiências relacionadas a problemas nas cordas vocais.
Os relatos chamam a atenção porque profissionais que dependem da voz para trabalhar podem perceber mais rapidamente alterações provocadas por irritação ou inflamação da laringe.
Especialistas recomendam que pessoas com rouquidão persistente, perda de voz ou dificuldades para cantar procurem avaliação médica, independentemente de utilizarem cigarros eletrônicos.
Vape pode prejudicar pulmões e coração
Os riscos associados aos cigarros eletrônicos não se limitam à dependência de nicotina ou às alterações vocais.
O aerossol produzido pelos dispositivos pode conter partículas ultrafinas, metais e compostos químicos potencialmente prejudiciais.
A exposição a determinadas substâncias pode provocar irritação das vias respiratórias e contribuir para alterações na função pulmonar.
A nicotina também pode aumentar temporariamente a frequência cardíaca e a pressão arterial.
Embora os cigarros eletrônicos geralmente exponham seus usuários a menos substâncias tóxicas provenientes da combustão do tabaco do que os cigarros convencionais, isso não significa que sejam seguros.
Os efeitos de longo prazo ainda estão sendo estudados, especialmente porque os produtos apresentam diferenças importantes de composição e funcionamento.
Para pessoas que não fumam, iniciar o uso de vape representa uma exposição desnecessária à nicotina e a outras substâncias potencialmente nocivas.
Cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil
Nos Estados Unidos, a comercialização de cigarros eletrônicos é regulamentada pela Food and Drug Administration (FDA), responsável pela análise e autorização de determinados produtos.
A existência de produtos autorizados para comercialização não significa que a agência considere os cigarros eletrônicos seguros ou livres de riscos.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar, conforme as regras sanitárias aplicáveis.
A proibição comercial existe desde 2009 e foi mantida e atualizada pela agência em 2024.
Apesar das restrições, esses dispositivos continuam circulando no mercado informal brasileiro.
A Anvisa alerta que produtos vendidos irregularmente podem apresentar composição desconhecida, concentrações elevadas de nicotina e ausência de controles adequados de qualidade.
Como abandonar o cigarro eletrônico?
Especialistas destacam que a dependência de nicotina pode exigir acompanhamento profissional, principalmente entre pessoas que utilizam dispositivos de alta concentração ou apresentam sintomas intensos de abstinência.
O tratamento pode envolver aconselhamento, acompanhamento médico e estratégias específicas para reduzir a dependência.
Nos Estados Unidos, pessoas que desejam abandonar o consumo de nicotina podem procurar serviços de apoio, incluindo o programa gratuito 1-800-QUIT-NOW.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde oferece atendimento para pessoas que desejam parar de fumar, com orientação e tratamento conforme a avaliação dos profissionais.
O relato de Selena Gomez reforça uma mensagem importante: embora o cigarro eletrônico seja frequentemente apresentado como um produto moderno e de aparência inofensiva, seu uso pode provocar dependência e problemas de saúde.
Para quem já utiliza vape, buscar orientação profissional pode facilitar a interrupção do consumo e reduzir os riscos associados à exposição contínua à nicotina.
