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“Se Flávio for presidente, Moraes estará fora do STF”, diz Eduardo Bolsonaro
Brasil | Política

“Se Flávio for presidente, Moraes estará fora do STF”, diz Eduardo Bolsonaro

Em Washington, ex-deputado comentou a possibilidade de saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal e participou de evento com o presidente argentino Javier Milei, a 11 dias do segundo turno das eleições brasileiras.


O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (14), em Washington, nos Estados Unidos, que acredita que o ministro Alexandre de Moraes não permanecerá no Supremo Tribunal Federal (STF) caso seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), seja eleito presidente da República.

A declaração foi dada a jornalistas brasileiros antes da participação de Eduardo em um evento organizado pela plataforma Latino Wall Street e pelo portal argentino La Derecha Diario, que também contou com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei.

Segundo reportagem da jornalista Mariana Sanches, do UOL, Eduardo afirmou não considerar possível que um eventual governo de Flávio Bolsonaro mantenha uma relação institucional com Moraes nos moldes atuais.

O ex-deputado também fez críticas ao ministro e mencionou uma suposta tentativa de acordo entre setores políticos e o Judiciário, sem apresentar detalhes ou documentos que comprovassem a existência da negociação.

Eduardo Bolsonaro comenta possível saída de Moraes do Supremo

Durante a conversa com a imprensa, Eduardo afirmou que sua divergência com Alexandre de Moraes envolve questões políticas e pessoais.

O ex-deputado também declarou que não acredita na possibilidade de seu irmão governar com Moraes integrando o STF.

As declarações ocorrem em meio às discussões sobre pedidos de impeachment do ministro e sobre a composição do Senado Federal após as eleições de outubro.

Integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro defendem a possibilidade de afastamento de Moraes por meio dos mecanismos previstos na Constituição.

Entretanto, a eleição de um presidente da República não provoca automaticamente a saída de ministros do Supremo Tribunal Federal.

A Constituição estabelece regras específicas para a perda do cargo. Um processo de impeachment por crime de responsabilidade, por exemplo, depende de tramitação no Senado Federal e de aprovação por dois terços dos senadores para condenação.

Assim, a manifestação de Eduardo Bolsonaro representa sua posição política sobre o futuro do ministro, sem produzir qualquer efeito imediato sobre a composição do tribunal.

Possibilidade de acordo entre PL e Judiciário é questionada

Eduardo também comentou informações que circulam nos bastidores políticos sobre uma possível aproximação entre integrantes do Partido Liberal e representantes do Judiciário.

Segundo o UOL, decisões recentes do STF e movimentações de lideranças políticas foram interpretadas por alguns interlocutores em Brasília como sinais de abertura para o diálogo.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, rejeitou publicamente a possibilidade de um acordo.

Até o momento, não foram apresentados elementos que permitam confirmar a existência de uma negociação formal envolvendo Alexandre de Moraes e a campanha presidencial.

Eduardo Bolsonaro participa de evento com Javier Milei nos Estados Unidos

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Na mesma noite, Eduardo Bolsonaro participou da Official Hispanic Heritage Gala, realizada no Andrew W. Mellon Auditorium, em Washington.

O encontro reuniu representantes políticos, empresários e convidados ligados a movimentos conservadores das Américas.

O presidente argentino Javier Milei esteve entre os principais participantes e recebeu uma homenagem por sua atuação política.

Durante o evento, Milei reiterou seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil.

Eduardo também discursou e defendeu uma maior aproximação entre países latino-americanos em áreas como segurança pública, economia e cooperação internacional.

A participação conjunta ocorreu em um momento de divergências diplomáticas entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei.

Ex-deputado comenta possibilidade de integrar eventual governo do irmão

O nome de Eduardo Bolsonaro tem sido mencionado em especulações sobre a composição de um eventual governo de Flávio Bolsonaro, especialmente para a área de relações exteriores.

Questionado sobre o assunto, o ex-deputado evitou confirmar qualquer possibilidade de nomeação e reconheceu que o resultado da eleição presidencial ainda está indefinido.

Eduardo mantém relações políticas com integrantes de movimentos conservadores nos Estados Unidos e na América Latina.

Ele reside em território norte-americano desde fevereiro de 2025.

Situação judicial de Eduardo Bolsonaro também foi abordada

A manifestação sobre Alexandre de Moraes ocorre em meio aos desdobramentos de processos judiciais envolvendo o ex-deputado.

Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.

A condenação está relacionada à sua atuação junto a autoridades dos Estados Unidos em busca de medidas contra integrantes do Judiciário brasileiro.

Na semana anterior ao evento, Moraes determinou providências para o cumprimento da pena.

Eduardo contesta a condenação e afirma ser inocente. Ao ser questionado sobre um possível retorno ao Brasil, condicionou a decisão à resolução de sua situação judicial.

Aliados do ex-deputado também discutem possibilidades de anistia e indulto em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Nenhuma dessas medidas está garantida.

Declarações ocorrem às vésperas do segundo turno presidencial

O segundo turno das eleições presidenciais brasileiras está marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão a Presidência da República.

A relação entre o próximo governo e o Supremo Tribunal Federal é um dos temas presentes no debate político.

As declarações de Eduardo Bolsonaro mostram o posicionamento de um integrante da família do candidato sobre essa relação, mas não representam uma decisão oficial do Senado, do STF ou de um eventual governo.

A permanência ou o afastamento de ministros do Supremo continua sujeita às regras estabelecidas pela Constituição brasileira.