A saída do diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, aumentou a crise interna na entidade responsável pelo futebol mundial. A FIFA confirmou que o dirigente deixou a organização poucas semanas depois de criticar publicamente um projeto do presidente Gianni Infantino para permitir a entrada de investidores privados nos negócios da Copa do Mundo e de outras competições.
Lamour integrava o grupo de liderança da FIFA desde novembro de 2024 e era considerado um antigo aliado de Infantino. Ele também participou da campanha que levou o dirigente suíço-italiano à presidência da entidade em 2016.
A FIFA não apresentou publicamente uma explicação detalhada para a saída. A entidade informou apenas que Lamour havia deixado o cargo e agradeceu pelos serviços prestados. Organizações de direitos humanos e representantes de trabalhadores afirmaram que o episódio levanta novas preocupações sobre transparência, governança e liberdade para questionamentos dentro da instituição.
A polêmica começou com a proposta de criar uma subsidiária comercial avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões. O projeto reuniria direitos e receitas de torneios organizados pela FIFA, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina e os Mundiais de Clubes.
Pela proposta, investidores privados poderiam adquirir uma participação de 20% na nova empresa. A operação poderia levantar cerca de US$ 4,2 bilhões para a FIFA, mas também entregaria aos investidores uma parcela permanente das receitas geradas pelas principais competições do futebol mundial.
Lamour acusou a presidência da entidade de não ter sido transparente com os próprios funcionários durante a elaboração do projeto. Ele afirmou que a proposta representava a iniciativa de uma única pessoa e declarou estar disposto a perder o emprego por se posicionar contra o plano.
A proposta provocou forte reação de dirigentes e confederações. A UEFA e suas 55 federações nacionais rejeitaram a entrada de investidores privados e chegaram a aprovar um boicote às competições da FIFA caso o projeto fosse mantido. As confederações da América do Norte, América Central e Caribe e da Ásia também se posicionaram contra a iniciativa.
Outro aliado de Infantino, o ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos Carlos Cordeiro, renunciou ao cargo de conselheiro da FIFA durante a controvérsia. Cordeiro, que trabalhou por mais de três décadas no setor bancário, classificou a proposta como prejudicial ao futebol.
Diante da pressão internacional, Infantino abandonou o plano no final de julho. O presidente da FIFA reconheceu que o projeto havia provocado divisões dentro do futebol mundial e afirmou que sua continuidade já não atendia aos objetivos inicialmente apresentados.
Apesar da retirada da proposta, a saída de Lamour mantém a crise aberta. Grupos ligados aos direitos humanos e às relações de trabalho afirmam que o episódio pode desencorajar outros funcionários da FIFA a questionar decisões da alta administração.
Infantino ocupa a presidência da FIFA há mais de dez anos e deve disputar um novo mandato em 2027. O prazo para o registro de possíveis candidatos de oposição termina em 18 de novembro.
