O influenciador e coach Pablo Marçal precisou ser resgatado durante a etapa de natação do Ironman 70.3, realizado no domingo (11), em Encarnación, no Paraguai. Ele participava da competição ao lado de um grupo de brasileiros, incluindo coaches, sócios e pessoas próximas, quando enfrentou dificuldades nas águas do Rio Paraná e precisou receber auxílio de um jet ski.
O episódio ganhou repercussão após a divulgação de informações sobre o preparo dos participantes. Segundo reportagem do Metrópoles, pelo menos 18 integrantes do grupo ligado a Marçal não conseguiram concluir a etapa de natação dentro do tempo regulamentar.
A situação surpreendeu o organizador da competição, Rodrigo Recalde Larrea, que criticou a participação de atletas com pouco treinamento e afirmou nunca ter presenciado algo semelhante em seus 23 anos de experiência no triatlo.
Marçal, conhecido por conteúdos motivacionais relacionados à superação de limites, também não conseguiu completar a etapa de natação.
Grupo enfrentou dificuldades no Rio Paraná
O Ironman 70.3 de Encarnación reuniu 386 inscritos para uma competição composta por três modalidades: natação, ciclismo e corrida.
A primeira etapa previa um percurso de 1,9 quilômetro em águas abertas no Rio Paraná, que apresentava correnteza intensa após dias de chuva na região.
Segundo os dados divulgados pelo Metrópoles, 64 participantes não conseguiram concluir a natação dentro do tempo permitido, entre eles pelo menos 18 brasileiros associados ao grupo com Marçal.
O influenciador precisou ser retirado da água com auxílio de uma equipe de apoio em um jet ski.
O percurso de natação é uma das etapas mais exigentes de uma prova de triatlo, especialmente quando realizado em rios, lagos ou no mar. Diferentemente das piscinas, as águas abertas podem apresentar correntezas, ondas e outras condições que aumentam o esforço físico dos competidores.
Coaches relatam preparação de apenas 15 dias
Um dos pontos que mais chamaram atenção após a competição foi o curto período de preparação relatado por integrantes do grupo.
Um dos brasileiros afirmou ter aprendido a nadar em apenas um dia. Outro contou que decidiu disputar o Ironman somente 11 dias antes do evento.
Paulo Henriques, que se apresenta como sócio de Pablo Marçal, reconheceu que o grupo tentou enfrentar a competição com aproximadamente 15 dias de preparação, segundo o Metropoles.
Os participantes utilizaram uniformes semelhantes e realizaram atividades em conjunto.
O Ironman 70.3 exige que os competidores completem 1,9 quilômetro de natação, 90 quilômetros de ciclismo e 21,1 quilômetros de corrida, totalizando aproximadamente 113 quilômetros.
Por envolver três modalidades de resistência em sequência, a competição demanda treinamento específico, especialmente para quem não possui experiência prévia em natação em águas abertas.
“Nunca vi isso em 23 anos”, afirma organizador
O organizador do evento, Rodrigo Recalde Larrea, criticou a decisão de alguns participantes de enfrentar a prova com um período tão curto de preparação.
Em declarações relatadas pelo Metrópoles, Larrea classificou a conduta como irresponsável e afirmou que, em 23 anos de experiência no triatlo, nunca havia presenciado uma situação semelhante.
A crítica ocorreu após a repercussão das dificuldades enfrentadas pelo grupo brasileiro durante a etapa de natação.
Embora a organização disponibilize equipes de segurança e resgate ao longo do percurso, a preparação individual é considerada fundamental para reduzir os riscos associados à modalidade.
As equipes de apoio podem retirar da água atletas que apresentem dificuldades, sinais de exaustão ou impossibilidade de continuar a prova.
Marçal já esteve envolvido em resgate durante expedição em montanha
O episódio no Paraguai trouxe novamente à discussão uma situação registrada em janeiro de 2022, quando Pablo Marçal liderou uma expedição ao Pico dos Marins, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais.
Na ocasião, um grupo de 32 pessoas precisou de auxílio de equipes de resgate após enfrentar condições climáticas adversas durante a subida da montanha.
A atividade provocou repercussão nacional e questionamentos sobre as condições de segurança oferecidas aos participantes.
O episódio também teve desdobramentos judiciais, incluindo um processo criminal relacionado à suposta exposição de pessoas a perigo.
Quatro anos depois, o influenciador voltou a ser associado a uma ocorrência de resgate durante uma atividade de resistência física, desta vez em uma competição internacional de triatlo.
Os dois casos, entretanto, envolveram circunstâncias distintas, e o resgate no Paraguai não representa, por si só, a prática de qualquer crime.
Assessoria nega que Marçal tenha organizado o grupo
Apesar da presença de pessoas próximas ao influenciador, a assessoria de Pablo Marçal negou que ele tenha sido responsável por organizar ou liderar a participação coletiva no Ironman.
Segundo a versão apresentada, cada atleta decidiu participar da competição por conta própria e realizou sua preparação individualmente.
A manifestação ocorreu após a divulgação de informações sobre a presença de coaches, sócios e outros integrantes do círculo de Marçal entre os participantes.
O uso de uniformes semelhantes e a realização de atividades conjuntas não comprovam, isoladamente, que o influenciador tenha sido responsável pelo treinamento ou pela inscrição dos atletas.
Ironman comunica episódio à direção global
A organização do Ironman informou que comunicou o episódio à direção global da competição.
De acordo com as informações divulgadas pelo Metrópoles, quatro atletas foram denunciados por suposto comportamento antidesportivo.
Não foram detalhadas eventuais punições ou decisões definitivas relacionadas às denúncias.
O episódio reacendeu discussões sobre os riscos de participar de competições de resistência sem preparação adequada, especialmente em provas que incluem natação em águas abertas.
