As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, chegam ao dia da votação com pesquisas e projeções apontando um cenário desfavorável ao Partido Republicano, do presidente Donald Trump. Os democratas aparecem em posição mais favorável na disputa pelo controle da Câmara dos Representantes, enquanto o Senado permanece como o principal ponto de incerteza.
Nesta terça-feira (3), os americanos votam para renovar todas as 435 cadeiras da Câmara, escolher 35 senadores e eleger governadores em 36 estados, além de representantes estaduais e autoridades locais.
O resultado definirá o equilíbrio de forças no Congresso a partir de janeiro de 2027 e poderá alterar a capacidade de Trump de aprovar projetos, confirmar integrantes de seu governo e avançar com propostas econômicas e migratórias.
Embora diferentes institutos apresentem projeções favoráveis aos democratas, as pesquisas não representam resultados oficiais. A definição dependerá da contagem dos votos em cada estado e distrito eleitoral.
O que mostram as projeções mais recentes?
Na reta final da campanha, levantamentos eleitorais e modelos estatísticos passaram a indicar um avanço democrata, especialmente na disputa pela Câmara dos Representantes.
O Cook Political Report, organização independente especializada em eleições americanas, divulgou em 2 de novembro uma análise segundo a qual os democratas poderiam conquistar entre 15 e 25 cadeiras atualmente ocupadas por republicanos.
Esse resultado seria suficiente para mudar o controle da Câmara e estabelecer uma maioria democrata.
Outro modelo, desenvolvido pelo site de análise eleitoral FiftyPlusOne, apresentou nesta terça-feira (3) probabilidades de 99% para uma maioria democrata na Câmara e de 79% para uma maioria democrata no Senado.
Os mercados de previsão eleitoral também apontavam vantagem democrata. Segundo a Reuters, na metade do dia, plataformas como Kalshi e Polymarket indicavam aproximadamente 94% de probabilidade de controle democrata da Câmara e 75% do Senado.
Esses percentuais representam estimativas produzidas por modelos ou mercados de apostas, e não a porcentagem de votos recebidos pelos candidatos.
As projeções também podem mudar conforme novas informações e resultados da apuração sejam divulgados.
Câmara dos Representantes é o principal foco da oposição
A Câmara dos Representantes é considerada o caminho mais direto para os democratas conquistarem poder institucional durante a segunda metade do mandato de Trump.
Para controlar a Casa, um partido precisa alcançar pelo menos 218 das 435 cadeiras.
Os republicanos chegaram à eleição com uma maioria estreita, o que significa que a mudança de um número relativamente pequeno de distritos poderá alterar o comando da Câmara.
Uma eventual maioria democrata permitiria ao partido assumir a presidência de comissões parlamentares, convocar integrantes do governo para audiências e ampliar investigações sobre decisões da Casa Branca.
Também poderia dificultar a aprovação de propostas orçamentárias, mudanças tributárias e outras iniciativas que dependem do Congresso.
Trump, entretanto, continuaria com poderes presidenciais, incluindo o veto a projetos aprovados pelo Legislativo e determinadas atribuições executivas.
Senado apresenta disputa mais apertada
A situação do Senado é mais complexa.
Antes da votação, os republicanos controlavam 53 das 100 cadeiras, enquanto os democratas e independentes alinhados ao partido somavam 47.
Para conquistar a maioria, os democratas precisam obter um ganho líquido de quatro cadeiras, chegando a pelo menos 51 senadores.
Isso ocorre porque, em caso de empate de 50 a 50, o vice-presidente JD Vance, republicano, pode exercer o voto de desempate.
Entre os estados acompanhados com maior atenção estão Maine, Michigan, Iowa, Kansas, Ohio, Texas, Alaska e Nebraska.
Em alguns desses locais, candidatos democratas disputam cadeiras tradicionalmente ocupadas por republicanos.
Ao mesmo tempo, o partido precisa defender seus próprios mandatos em estados onde as pesquisas mostram disputas competitivas.
A Reuters destacou que o controle do Senado continua sujeito a resultados apertados em diferentes estados, mesmo diante da melhora das projeções democratas.
Quais estados podem decidir o resultado?
Algumas disputas concentram a atenção de analistas e dirigentes partidários.
No Maine, a senadora republicana Susan Collins busca mais um mandato em um estado que apresenta comportamento eleitoral competitivo.
No Michigan, os democratas tentam preservar uma cadeira em uma disputa marcada por divisões políticas e intensa mobilização dos partidos.
No Texas, uma eleição para o Senado atrai atenção nacional pelo volume de recursos investidos e pela possibilidade de mudança em uma cadeira republicana.
Kansas, Iowa e Ohio também aparecem entre os estados onde a oposição tenta conquistar espaço.
Na Câmara, distritos competitivos da Califórnia, Pensilvânia, Nova York, Virgínia e outros estados poderão determinar a extensão de eventuais ganhos democratas.
Como as eleições para a Câmara são decididas individualmente em cada distrito, a vantagem nacional de um partido não se traduz automaticamente no mesmo número de cadeiras.
Economia e custo de vida influenciam a disputa
O desempenho da economia americana está entre os principais temas da campanha.
O aumento do custo de vida, os preços dos combustíveis e as preocupações com o orçamento das famílias aparecem no debate político, ao lado de imigração, segurança e política externa.
Os democratas têm utilizado essas questões para questionar as decisões econômicas do governo Trump.
Os republicanos, por sua vez, defendem a continuidade das políticas da Casa Branca e destacam suas propostas sobre imigração, impostos e segurança nacional.
As eleições também funcionam como uma avaliação política dos dois primeiros anos do segundo mandato presidencial.
Historicamente, o partido que ocupa a Casa Branca costuma perder cadeiras no Congresso durante eleições de meio de mandato, embora esse comportamento não determine o resultado de uma votação específica.
O que muda para Trump se os democratas conquistarem o Congresso?
O impacto dependerá de qual partido controlar cada uma das duas casas legislativas.
Se os democratas conquistarem apenas a Câmara, poderão ampliar a fiscalização sobre o governo e dificultar a aprovação de determinadas propostas, mas os republicanos continuarão controlando o Senado.
Caso os democratas também conquistem o Senado, terão maior influência sobre a confirmação de juízes federais, integrantes do governo e outras nomeações presidenciais.
Isso poderia criar obstáculos adicionais à agenda de Trump, especialmente em decisões que exigem aprovação parlamentar.
Por outro lado, se os republicanos preservarem o controle das duas casas, o presidente manterá uma estrutura legislativa mais favorável à continuidade de suas propostas.
Mesmo diante de uma maioria democrata, Trump não perderá automaticamente seus poderes presidenciais. O governo poderá continuar adotando medidas administrativas e exercendo competências previstas na Constituição.
Resultado também poderá repercutir no dólar e nos juros
Os mercados financeiros acompanham a eleição porque o novo equilíbrio político poderá influenciar as decisões fiscais e econômicas dos Estados Unidos.
Mudanças nas expectativas sobre impostos, gastos públicos, endividamento federal e negociações comerciais podem afetar os títulos do Tesouro americano e a cotação do dólar.
Esses movimentos também repercutem em países emergentes, incluindo o Brasil.
Uma elevação dos juros americanos pode aumentar a atratividade de investimentos nos Estados Unidos, enquanto mudanças nas perspectivas de política econômica podem provocar oscilações no câmbio.
Entretanto, não existe uma relação automática entre a vitória de determinado partido e a valorização ou desvalorização do dólar.
A reação dos mercados dependerá do resultado efetivo, das expectativas já incorporadas aos preços e das decisões políticas posteriores à eleição.
Quando será conhecido o resultado das midterms?
A apuração começa após o fechamento das urnas em cada estado, respeitando os diferentes fusos horários dos Estados Unidos.
Embora várias disputas possam ser definidas ainda na noite desta terça-feira, o controle final do Congresso poderá levar dias para ser confirmado.
A Associated Press ressalta que resultados apertados, votos enviados pelo correio e procedimentos específicos de apuração podem prolongar a contagem.
Na Califórnia, por exemplo, o grande volume de votos postais costuma exigir mais tempo. Maine e Alaska também utilizam sistemas de votação por ordem de preferência em determinadas disputas, o que pode prolongar a definição.
A maioria da Câmara exige 218 cadeiras, enquanto os democratas precisam alcançar 51 assentos no Senado para superar a possibilidade de desempate pelo vice-presidente republicano.
O que esperar das próximas horas?
As projeções divulgadas até o momento mostram um ambiente eleitoral favorável aos democratas, mas não substituem os resultados das urnas.
A principal questão é saber se a oposição conseguirá transformar sua vantagem nas pesquisas em uma maioria na Câmara e se terá votos suficientes para conquistar também o Senado.
O tamanho das bancadas eleitas será determinante para as negociações políticas que começarão em Washington após a votação.
Para Donald Trump, o resultado representará um teste importante de apoio popular e ajudará a definir as condições políticas de seu governo até janeiro de 2029.
A Rádio Brazil Atlanta acompanha a apuração das eleições americanas e os desdobramentos para o Congresso, a Casa Branca e a economia dos Estados Unidos.
