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Lula propõe reduzir maioridade penal para crimes hediondos, defende investigação de ministros do STF e reconhece falhas no governo
Brasil | Política

Lula propõe reduzir maioridade penal para crimes hediondos, defende investigação de ministros do STF e reconhece falhas no governo

Em entrevista à TV Globo, presidente apoiou a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, comentou denúncias envolvendo ministros do Supremo e assumiu responsabilidade pela dificuldade de comunicar os resultados de sua gestão.


BRASIL | POLÍTICA E ELEIÇÕES | 15 DE OUTUBRO DE 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, abordou temas sensíveis de seu governo durante entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (15). Em conversa conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, Lula defendeu a redução da maioridade penal em casos de crimes hediondos, cobrou a investigação de denúncias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e reconheceu sua responsabilidade pelas dificuldades enfrentadas pela administração federal.

A entrevista fez parte da cobertura especial do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O presidente também respondeu a perguntas sobre segurança pública, o caso Banco Master, relações comerciais com os Estados Unidos, economia e programas sociais.

Ao comentar a avaliação de seu governo, Lula reconheceu que não conseguiu transmitir à população, da maneira que considerava necessária, os resultados das políticas adotadas durante seu mandato.

As declarações ocorreram em um momento decisivo da disputa eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno.

Lula defende redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos

Uma das declarações de maior repercussão da entrevista foi o posicionamento favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos.

Atualmente, a Constituição brasileira estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e estão sujeitos às medidas previstas na legislação específica para adolescentes.

Lula afirmou que considera possível reduzir essa idade para crimes de maior gravidade, mas ressaltou que o assunto não deveria ser incluído na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, em discussão no Congresso Nacional.

O presidente argumentou que a proposta em tramitação tem como objetivo principal reorganizar a atuação das instituições responsáveis pelo combate à criminalidade e ampliar a coordenação entre União, estados e municípios.

Segundo ele, a mudança na maioridade penal deveria ser discutida separadamente, após a análise da PEC.

A posição chama atenção porque a redução da maioridade penal historicamente encontra resistência em setores do PT e da esquerda brasileira.

A eventual alteração exigiria mudanças constitucionais e aprovação do Congresso Nacional. A declaração do presidente, portanto, não representa uma mudança imediata na legislação.

Presidente cobra apuração de denúncias envolvendo ministros do STF

Outro tema central foi a crise de credibilidade enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal diante de denúncias e questionamentos relacionados ao caso Banco Master.

Durante a entrevista, Lula defendeu que suspeitas envolvendo integrantes da Suprema Corte sejam investigadas e que eventuais irregularidades sejam responsabilizadas, independentemente dos cargos ocupados.

O presidente mencionou discussões envolvendo os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Nunes Marques.

As referências ocorreram no contexto das denúncias divulgadas publicamente. A existência de questionamentos ou investigações não significa comprovação de irregularidades por parte dos magistrados.

Lula afirmou ter conversado com o presidente do STF, Edson Fachin, sobre a necessidade de esclarecer os fatos e preservar a confiança da sociedade no Judiciário.

Também defendeu o debate sobre mudanças estruturais na Corte, incluindo critérios de escolha de ministros, possibilidade de mandatos e regras mais rigorosas de conduta.

O presidente argumentou que a discussão sobre uma reforma do Judiciário não deve ser evitada, especialmente diante das controvérsias envolvendo a instituição.

Lula assume responsabilidade pelas dificuldades do governo

Questionado sobre a avaliação de sua administração e a insatisfação de parte do eleitorado, Lula reconheceu que a responsabilidade pelos resultados políticos de seu governo é dele.

O presidente afirmou que não pretende atribuir exclusivamente a assessores, ministros ou integrantes da campanha a dificuldade de comunicar suas realizações.

Na avaliação apresentada durante a entrevista, o governo executou políticas e investimentos que não foram compreendidos por uma parcela da população.

Lula também mencionou os desafios enfrentados no início do mandato, iniciado em janeiro de 2023, e sustentou que parte de sua gestão foi dedicada à reorganização de programas e estruturas administrativas.

Apesar disso, admitiu que a explicação sobre o trabalho realizado não alcançou todos os brasileiros.

A declaração representa um reconhecimento público das dificuldades de comunicação e de percepção dos resultados de sua administração, em meio à disputa por um novo mandato presidencial.

Segurança pública e combate ao crime organizado

Na área da segurança, Lula voltou a defender uma participação mais coordenada do governo federal no enfrentamento das organizações criminosas.

Entre as propostas mencionadas está a criação de um Ministério da Segurança Pública, com atribuições específicas e orçamento próprio.

O presidente também falou sobre a necessidade de ampliar a estrutura prisional e intensificar investigações financeiras para enfraquecer facções criminosas.

Segundo a estratégia apresentada, o combate ao crime organizado deve atingir não apenas integrantes das organizações, mas também suas fontes de financiamento.

Lula ainda criticou a possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Para o presidente, a medida poderia gerar implicações para a soberania brasileira. Ele defendeu a cooperação internacional no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado, mas sustentou que as decisões sobre segurança interna devem respeitar a autonomia do país.

Caso Banco Master também foi abordado na entrevista

As suspeitas relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro ocuparam parte da conversa.

Lula comentou questionamentos sobre contatos de autoridades com pessoas ligadas ao banco e defendeu que eventuais irregularidades sejam examinadas pelos órgãos competentes.

O presidente também abordou a atuação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, diante de críticas sobre sua participação em um evento relacionado ao empresário.

Segundo Lula, ele chegou a repreender o dirigente pelo episódio, mas também destacou sua atuação profissional à frente da instituição.

Ao comentar seu encontro anterior com Vorcaro, o presidente afirmou que receber representantes de diferentes setores faz parte das atribuições do governo e defendeu que assuntos relacionados a instituições financeiras sejam tratados tecnicamente pelos órgãos responsáveis.

As declarações foram apresentadas em meio à repercussão política e institucional das investigações relacionadas ao banco.

Relação com Trump e tarifas comerciais

A política externa também entrou na entrevista, especialmente a relação do Brasil com os Estados Unidos durante o governo de Donald Trump.

Lula afirmou que pretende manter o diálogo com Washington para buscar soluções para as divergências comerciais e as tarifas aplicadas a produtos brasileiros.

O presidente disse preferir negociações diplomáticas, mas não descartou medidas de reciprocidade caso não seja possível alcançar um acordo.

Também destacou a importância de diversificar os parceiros comerciais do Brasil e ampliar as relações econômicas com outros países.

Segundo Lula, a estratégia brasileira deve combinar diálogo com os Estados Unidos e preservação da autonomia nas decisões comerciais e diplomáticas.

Bolsa Família, endividamento e atendimento pelo SUS

A entrevista também abordou temas diretamente relacionados ao cotidiano da população.

Sobre o Bolsa Família, Lula comentou o reajuste do programa anunciado próximo ao primeiro turno e afirmou que determinou a correção após tomar conhecimento da situação dos valores pagos.

No campo econômico, defendeu iniciativas para facilitar a renegociação de dívidas de famílias e pequenos empreendedores.

O presidente mencionou a possibilidade de ampliar medidas semelhantes às do programa Desenrola, com o objetivo de reduzir o endividamento e permitir que consumidores recuperem capacidade de compra.

Na saúde, reconheceu que as filas para consultas, exames e cirurgias continuam sendo um problema do Sistema Único de Saúde (SUS).

Como resposta, citou iniciativas de ampliação do atendimento especializado, contratação de profissionais e parcerias para aumentar a realização de procedimentos.

As medidas foram apresentadas como propostas e ações defendidas pelo presidente, sem que isso signifique que todos os resultados anunciados já tenham sido alcançados.

Entrevista faz parte da cobertura do segundo turno

A sabatina com Lula abriu a série de entrevistas da TV Globo com os candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) está previsto para participar da programação nesta sexta-feira (16).

A emissora também prevê um debate entre os dois candidatos antes da votação.

Ao longo da entrevista, Lula procurou explicar decisões de seu governo, reconhecer dificuldades e apresentar propostas para um eventual novo mandato.

As declarações sobre a maioridade penal, as investigações envolvendo o STF e a responsabilidade pelos problemas de sua administração estão entre os pontos de maior repercussão política da conversa.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, os candidatos seguem apresentando suas posições sobre segurança pública, economia, instituições democráticas e políticas sociais.