Reportagem do The Guardian afirma que procedimentos médicos involuntários foram autorizados por decisões judiciais em centros de detenção nos Estados Unidos
Uma investigação exclusiva publicada pelo jornal The Guardian afirma que o Departamento de Segurança Interna (DHS) e o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) solicitaram ordens judiciais para submeter pelo menos 10 imigrantes em greve de fome a procedimentos médicos involuntários em centros de detenção nos Estados Unidos.
Segundo a reportagem, entre 2025 e 2026, ao menos três imigrantes foram alimentados à força, enquanto outros dois provavelmente passaram pelo mesmo procedimento. Além disso, cinco pessoas encerraram a greve de fome pouco antes da execução das medidas autorizadas pela Justiça.
Procedimentos incluíam alimentação e hidratação forçadas
De acordo com a investigação, as ordens judiciais autorizavam procedimentos como:
Alimentação forçada;
Hidratação intravenosa sem consentimento;
Coletas de sangue;
Coletas de urina realizadas de forma involuntária.
A reportagem foi baseada em centenas de páginas de documentos judiciais e entrevistas com advogados, especialistas e outras fontes ligadas aos casos.
Um detido teria sido alimentado à força por quase oito meses
Entre os casos citados está o de um requerente de asilo curdo, que, segundo o The Guardian, permaneceu por quase oito meses submetido à alimentação forçada em um centro de detenção no estado do Texas.
A investigação também afirma que, em seis processos analisados, os imigrantes não contavam com representação jurídica durante as audiências que autorizaram os procedimentos médicos.
Prática já ocorreu em administrações anteriores
O jornal ressalta que medidas semelhantes também foram registradas em administrações anteriores, incluindo durante o governo Joe Biden, em 2024.
No entanto, especialistas e organizações de direitos humanos ouvidos pela publicação afirmam estar preocupados com o aumento do número de detenções de imigrantes e com a possibilidade de crescimento de casos desse tipo.
DHS e ICE não comentaram
Segundo o The Guardian, o DHS e o ICE foram procurados antes da publicação da reportagem, mas não responderam aos pedidos de comentário até o fechamento da matéria.
Até o momento, as informações divulgadas fazem parte da investigação jornalística e não houve manifestação pública das agências federais sobre os casos citados.
