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Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil pela Argentina, mas irmão e aliados negam viagem
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Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil pela Argentina, mas irmão e aliados negam viagem

Reportagem de um portal argentino afirma que o senador teria atravessado a fronteira para embarcar em um jato particular com destino aos Estados Unidos. A Polícia Federal verifica registros de fronteira e voos, enquanto Eduardo Bolsonaro classifica a informação como falsa.


Uma reportagem publicada pelo portal argentino Infobae provocou novos questionamentos sobre o paradeiro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dia depois de ele ter sido intimado a entregar seus passaportes à Polícia Federal por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o veículo argentino, Flávio teria deixado o Brasil na noite de segunda-feira, 26 de outubro, atravessado a fronteira com a Argentina e seguido até Puerto Iguazú, na província de Misiones, de onde embarcaria em um avião particular com destino aos Estados Unidos.

A informação, entretanto, foi contestada por integrantes da família Bolsonaro e por aliados políticos do senador. Até o momento, não há confirmação independente de que Flávio tenha deixado o território brasileiro.

De acordo com o UOL, a Polícia Federal iniciou verificações em pontos de fronteira e registros de voos para esclarecer se houve alguma saída do país. A Folha de S.Paulo também informou que, nas primeiras consultas, não foram encontrados registros de uma travessia oficial do senador pela fronteira brasileira com a Argentina.

O episódio ocorre em meio aos desdobramentos judiciais posteriores à derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de domingo, vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Site argentino aponta possível embarque em avião particular

A reportagem do Infobae afirma que Flávio Bolsonaro teria atravessado a fronteira utilizando sua carteira de identidade, documento aceito para viagens entre Brasil e Argentina nas condições previstas pelos acordos do Mercosul.

O destino seria Puerto Iguazú, cidade argentina próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná.

Segundo o portal, um avião executivo Gulfstream G400 estaria preparado para decolar por volta das 2h da madrugada de terça-feira, 27 de outubro, no horário local.

A aeronave mencionada na publicação possui matrícula LV-JQW e estaria vinculada à empresa argentina Baires Fly S.A.

O Infobae informou ainda que a companhia teria solicitado procedimentos alfandegários e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes.

Apesar dos detalhes apresentados, a reportagem não comprovou que Flávio Bolsonaro estivesse entre os passageiros ou que tivesse embarcado na aeronave.

O UOL consultou a plataforma de monitoramento aéreo Flightradar24 e identificou um voo entre Buenos Aires e Puerto Iguazú na noite de segunda-feira. Entretanto, não encontrou registros de uma decolagem do avião mencionado com destino aos Estados Unidos.

A ausência de um voo identificado não resolve, por si só, todas as dúvidas sobre o deslocamento, mas significa que a viagem internacional descrita inicialmente não estava comprovada.

Eduardo Bolsonaro nega informação sobre saída do irmão

Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e residente nos Estados Unidos, rejeitou a reportagem argentina.

Em declaração à jornalista Mariana Sanches, do UOL, Eduardo ironizou a hipótese de uma viagem clandestina.

“É o Elon Musk que está mandando um foguete”, afirmou.

Em seguida, classificou a informação como falsa e acusou adversários políticos de utilizarem o episódio para justificar medidas contra o senador.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, também negou que o parlamentar tivesse saído do Brasil.

Questionado pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, Marinho respondeu: “Não saiu”.

As declarações contradizem diretamente a versão publicada pelo Infobae.

Até a atualização da reportagem do UOL, às 10h30 de terça-feira, a assessoria de Flávio Bolsonaro ainda não havia respondido aos pedidos de esclarecimento do veículo.

Polícia Federal verifica fronteiras e registros de voos

A repercussão da notícia levou a Polícia Federal a verificar informações relacionadas a possíveis deslocamentos internacionais do senador.

Segundo a Folha de S.Paulo, agentes passaram a consultar registros de fronteira e movimentações aéreas para determinar se Flávio efetivamente deixou o Brasil.

As primeiras verificações não identificaram uma passagem oficial do parlamentar pelos controles regulares da fronteira com a Argentina.

Isso não equivale a uma conclusão definitiva sobre seu paradeiro, mas demonstra que a alegação inicial ainda depende de comprovação.

A situação ganhou relevância porque Flávio havia sido intimado, na segunda-feira, a entregar seus passaportes comum e diplomático em um prazo de 24 horas.

A determinação judicial também estabelece restrições à sua saída do país.

Até a manhã desta terça-feira, o UOL informava que os documentos ainda estavam em poder do senador e deveriam ser entregues dentro do prazo estabelecido.

Moraes determinou entrega dos passaportes após investigação no STF

A ordem de entrega dos passaportes foi expedida no âmbito de uma investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal.

Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em um procedimento que também envolve o advogado Willer Tomaz, apontado como pessoa próxima ao senador.

O caso examina possíveis movimentações financeiras relacionadas a empresas e ao setor de apostas.

Além da entrega dos documentos, a decisão judicial proíbe Flávio de manter contato com Willer Tomaz.

O senador nega irregularidades e afirma que pretende contestar judicialmente as medidas impostas.

A existência de uma investigação não representa condenação, e as suspeitas ainda precisam ser examinadas pelas autoridades competentes.

Flávio afirmou que nunca pensou em deixar o Brasil

Na segunda-feira, após receber a intimação da Polícia Federal, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais no qual criticou a decisão de Alexandre de Moraes.

O senador declarou que não pretendia sair do país e afirmou que entregaria os documentos solicitados.

Ele também disse considerar a medida uma tentativa de intimidação.

Segundo Flávio, a decisão judicial teria mencionado uma declaração de Eduardo Bolsonaro, feita durante uma entrevista nos Estados Unidos, na qual o ex-deputado sugeriu que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial.

Essa explicação foi apresentada pelo próprio senador. Como a decisão judicial está sob sigilo, não foi possível confirmar integralmente os fundamentos utilizados pelo ministro.

Vídeo antigo de viagem aos Estados Unidos voltou a circular

A notícia sobre a suposta passagem pela Argentina também surgiu em um momento de circulação de informações enganosas nas redes sociais.

Na segunda-feira, publicações apresentaram imagens de Flávio Bolsonaro embarcando para os Estados Unidos como se a viagem tivesse ocorrido depois da derrota eleitoral.

Entretanto, uma checagem realizada pelo UOL Confere identificou que o vídeo era de maio de 2026, quando o senador efetivamente viajou ao território americano.

A agência Reuters também verificou a circulação das imagens antigas e concluiu que elas não comprovam uma viagem após as eleições.

Esse episódio é distinto da reportagem publicada pelo Infobae sobre a possível passagem pela Argentina, mas reforça a necessidade de verificar datas, documentos e registros antes de considerar confirmada qualquer informação sobre deslocamentos do parlamentar.

Paradeiro do senador ainda depende de confirmação

Segundo apuração da jornalista Letícia Casado, do UOL, aliados de Flávio Bolsonaro tentavam entrar em contato com o senador desde o início da manhã de terça-feira, mas não haviam conseguido falar com ele.

A ausência de contato, entretanto, não comprova que ele tenha deixado o país.

Até a última atualização das reportagens consultadas, três pontos permaneciam sem confirmação: se Flávio atravessou a fronteira brasileira, se esteve em Puerto Iguazú e se embarcou em algum avião com destino aos Estados Unidos.

Enquanto a Polícia Federal verifica os registros disponíveis, familiares e aliados continuam negando a suposta viagem.

O esclarecimento deverá depender de informações oficiais sobre os deslocamentos do senador e do cumprimento da ordem judicial de entrega dos passaportes.

Até o momento, a viagem atribuída a Flávio Bolsonaro permanece uma informação não confirmada, contestada por seu irmão e por integrantes de sua equipe política.