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Eleições nos EUA: Trump pede transferência de votos para republicano em disputa acirrada no Alasca
Estados Unidos | Política

Eleições nos EUA: Trump pede transferência de votos para republicano em disputa acirrada no Alasca

Disputa pelo Senado entre a democrata Mary Peltola e o republicano Dan Sullivan registra diferença inferior a mil votos. Sistema eleitoral do estado permite redistribuição de preferências, mas segue regras específicas de apuração.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou uma nova discussão sobre o processo eleitoral americano ao defender que os votos de um candidato envolvido em polêmica no Alasca sejam transferidos para o republicano Dan Sullivan, que disputa uma cadeira no Senado contra a democrata Mary Peltola.

A eleição no estado está entre as mais acirradas das eleições de meio de mandato de 2026. Segundo os resultados parciais divulgados, a diferença entre os dois principais candidatos é inferior a mil votos, tornando a apuração decisiva para determinar o vencedor.

A declaração de Trump ocorre em meio à expectativa pela contagem dos votos restantes, que poderá se estender por até duas semanas devido às particularidades do sistema eleitoral utilizado no Alasca.

Diferentemente da maioria dos estados americanos, o Alasca adota um modelo de votação por ordem de preferência, conhecido como ranked-choice voting, no qual os eleitores podem classificar os candidatos em diferentes posições.

Nesse sistema, os votos podem ser redistribuídos durante a apuração, mas somente conforme as preferências registradas pelos próprios eleitores.

Polêmica envolve dois candidatos com o mesmo nome

O centro da controvérsia é a presença de dois candidatos chamados Dan Sullivan na mesma disputa eleitoral.

O primeiro é Dan S. Sullivan, senador republicano que tenta conquistar mais um mandato.

O segundo é Daniel J. Sullivan Jr., um professor aposentado que também decidiu concorrer ao Senado pelo Alasca.

A semelhança entre os nomes provocou acusações de que eleitores poderiam confundir os candidatos no momento da votação.

Republicanos afirmam que a candidatura do professor teria sido articulada para retirar votos do senador que busca a reeleição.

Uma reportagem do jornal The New York Times apontou que pessoas ligadas à campanha democrata participaram de iniciativas para incentivar a candidatura do segundo Sullivan.

Mary Peltola negou ter conhecimento ou participação nessa articulação.

Daniel J. Sullivan Jr., por sua vez, sustenta que sua candidatura é legítima.

Trump quer que votos sejam atribuídos ao senador republicano

Donald Trump defendeu publicamente que os votos destinados ao candidato de nome semelhante sejam contabilizados para o senador republicano Dan S. Sullivan.

O presidente também pediu que votos de outro concorrente fossem transferidos, argumentando que o resultado deveria favorecer o republicano.

A proposta, entretanto, não corresponde às regras de apuração adotadas pelo Alasca.

Pelo sistema estadual, os votos não podem ser simplesmente atribuídos a outro candidato por determinação presidencial.

A transferência depende exclusivamente da ordem de preferência indicada pelos próprios eleitores nas cédulas.

A declaração de Trump intensificou a disputa política e jurídica em torno da eleição, especialmente porque a diferença entre os principais candidatos permanece muito pequena.

Justiça rejeita tentativa de impedir certificação eleitoral

Antes da votação, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou com uma ação para impedir a certificação do resultado caso o senador republicano fosse derrotado em circunstâncias que, segundo o governo, indicassem possível confusão entre os candidatos.

A administração Trump argumentou que a presença de dois concorrentes com nomes semelhantes poderia comprometer a integridade da eleição.

Entretanto, uma juíza federal rejeitou o pedido, considerando inviável a medida solicitada pelo governo.

Autoridades eleitorais do Alasca também contestaram a iniciativa, afirmando que não seria possível identificar quais eleitores teriam votado no candidato errado sem comprometer o sigilo do voto.

O Departamento de Justiça recorreu da decisão.

Paralelamente, investigações procuram esclarecer as circunstâncias da candidatura de Daniel J. Sullivan Jr.

Até o momento, as suspeitas apresentadas não constituem comprovação de fraude eleitoral.

Como funciona o sistema de votação do Alasca?

O Alasca utiliza um sistema chamado ranked-choice voting, ou votação por ordem de preferência.

Nesse modelo, o eleitor pode classificar os candidatos em primeiro, segundo, terceiro e quarto lugares.

Se nenhum candidato conquistar mais de 50% dos votos de primeira preferência, o menos votado é eliminado.

Os votos desse candidato são então redistribuídos de acordo com a próxima preferência válida indicada em cada cédula.

O procedimento continua até que um dos concorrentes alcance a maioria dos votos ainda ativos.

Isso significa que um eleitor que tenha escolhido Daniel J. Sullivan Jr. como primeira opção e Dan S. Sullivan como segunda poderá ter seu voto transferido para o senador republicano caso o primeiro seja eliminado.

Entretanto, se o eleitor tiver indicado Mary Peltola como segunda opção, o voto poderá ser transferido para a democrata.

Portanto, o sistema não permite que todos os votos de um candidato sejam automaticamente direcionados a outro.

Diferença inferior a mil votos mantém disputa indefinida

A contagem parcial divulgada pela Associated Press mostrava Mary Peltola à frente de Dan S. Sullivan por apenas 626 votos, com aproximadamente 74% das cédulas contabilizadas.

A margem estreita mantém a disputa aberta e aumenta a importância dos votos enviados pelo correio e daqueles provenientes de comunidades remotas.

O Alasca possui características geográficas que tornam a logística eleitoral mais complexa do que em muitos outros estados americanos.

Diversas localidades não possuem acesso por rodovias e dependem de transporte aéreo ou marítimo para o envio de materiais eleitorais.

Além disso, a legislação estadual permite o recebimento de determinadas cédulas enviadas pelo correio até 18 de novembro, desde que cumpram os requisitos legais.

Somente depois dessa etapa poderá ocorrer a redistribuição final dos votos por ordem de preferência, caso nenhum candidato tenha alcançado a maioria necessária.

Resultado poderá ampliar disputa política em Washington

A eleição no Alasca é acompanhada nacionalmente porque envolve uma cadeira do Senado em um momento de mudanças importantes na composição do Congresso americano.

Mary Peltola, ex-deputada federal democrata, tenta conquistar uma vaga em um estado historicamente favorável aos republicanos nas eleições presidenciais.

Dan Sullivan, por sua vez, busca permanecer no Senado e conta com o apoio de Donald Trump.

Além da disputa entre os candidatos, a controvérsia envolvendo os dois políticos com nomes semelhantes colocou o sistema eleitoral do Alasca no centro do debate nacional.

Enquanto Trump questiona a distribuição dos votos, autoridades eleitorais continuam a apuração conforme as regras estaduais.

Até a conclusão da contagem e das eventuais rodadas de redistribuição de preferências, não há vencedor oficialmente definido para a cadeira do Senado pelo Alasca.