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Eleição em Israel termina sem maioria e deixa futuro de Netanyahu indefinido
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Eleição em Israel termina sem maioria e deixa futuro de Netanyahu indefinido

Com mais de 85% dos votos apurados, o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aparece à frente da oposição liderada por Gadi Eisenkot, mas nenhum dos lados conquistou as 61 cadeiras necessárias para formar governo. Resultado pode abrir semanas de negociações políticas.


A eleição parlamentar de Israel terminou sem um vencedor definido, colocando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu principal adversário, Gadi Eisenkot, diante de uma disputa decisiva para formar o próximo governo do país.

Com mais de 85% dos votos contabilizados nesta quarta-feira (28), o bloco político de Netanyahu aparecia com uma projeção de 53 cadeiras no Parlamento, enquanto os partidos de oposição alinhados a Eisenkot somavam 48. As legendas árabes alcançavam 19 assentos, segundo dados divulgados pela Comissão Eleitoral Central e repercutidos pelo jornal The Times of Israel.

O Parlamento israelense, conhecido como Knesset, possui 120 cadeiras. Para formar um governo com maioria parlamentar, uma coalizão precisa reunir pelo menos 61 deputados.

Apesar da vantagem de Netanyahu na contagem parcial, nenhum dos dois principais blocos conseguiu atingir esse número. O resultado abre caminho para negociações entre partidos com posições políticas e ideológicas distintas.

A apuração ainda não havia sido concluída, e os números poderiam sofrer alterações com a inclusão dos votos restantes.

Netanyahu lidera, mas não garante permanência no poder

O Likud, partido liderado por Netanyahu, permaneceu como a maior força individual do Parlamento israelense.

Segundo os resultados parciais divulgados pela imprensa internacional, a legenda conquistava aproximadamente 26 cadeiras, enquanto o partido Yashar, liderado por Eisenkot, aparecia com cerca de 21.

A vantagem, entretanto, não assegura automaticamente a formação de um novo governo.

Em Israel, o primeiro-ministro precisa reunir apoio parlamentar suficiente para estabelecer uma coalizão. Por isso, mesmo o partido mais votado pode enfrentar dificuldades para governar.

Netanyahu busca permanecer no cargo após anos marcados por conflitos militares, disputas políticas internas e questionamentos sobre sua liderança.

Durante um pronunciamento aos apoiadores do Likud, o primeiro-ministro defendeu a formação de um governo nacional de direita.

Ele também destacou as operações militares realizadas por Israel nos últimos anos e voltou a mencionar o Irã como uma das principais preocupações de segurança do país.

Gadi Eisenkot tenta construir uma alternativa de governo

O principal adversário de Netanyahu é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel e líder do partido Yashar, de centro-direita.

Eisenkot construiu sua campanha em torno da necessidade de mudanças na liderança política e de uma reorganização das prioridades nacionais.

Após o encerramento da votação, afirmou que os eleitores haviam demonstrado desejo de mudança e defendeu a formação de um novo governo.

Entretanto, a oposição enfrenta dificuldades semelhantes às de Netanyahu.

Os partidos que se opõem ao atual primeiro-ministro apresentam diferenças significativas sobre segurança nacional, política externa, religião e relações com a população palestina.

A construção de uma coalizão exigirá acordos entre legendas que, em alguns casos, mantêm posições bastante divergentes.

Partidos árabes podem ser decisivos nas negociações

Um dos principais destaques da eleição foi o desempenho dos partidos de representação árabe.

Com 19 cadeiras projetadas na apuração parcial, essas legendas passaram a ocupar uma posição importante na composição do novo Parlamento.

Os partidos árabes representam principalmente cidadãos israelenses de origem palestina e defendem diferentes propostas relacionadas a direitos civis, igualdade, segurança e à relação entre israelenses e palestinos.

Em termos numéricos, seus representantes poderiam contribuir para a formação de uma maioria parlamentar.

Entretanto, a possibilidade enfrenta resistência política.

Netanyahu rejeita a formação de um governo dependente do apoio de partidos árabes. Eisenkot também manifestou restrições a determinadas alianças, embora integrantes da oposição discutam alternativas para superar o impasse.

A dificuldade de estabelecer acordos pode prolongar as negociações e impedir uma definição rápida sobre o próximo primeiro-ministro.

Participação dos eleitores foi a maior em décadas

A eleição registrou uma participação expressiva da população israelense.

Segundo dados divulgados pela Comissão Eleitoral Central, 77,7% dos eleitores compareceram às urnas, o maior índice registrado no país desde 1999.

O comparecimento elevado ocorreu em meio a debates sobre a segurança nacional, a condução das guerras recentes e as consequências dos ataques realizados pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

A atuação do governo durante os conflitos em Gaza, no Líbano e em confrontos envolvendo o Irã também esteve entre os principais temas da campanha.

Outro assunto recorrente foi a responsabilidade política e militar pelas falhas de segurança que antecederam os ataques de outubro de 2023.

A eleição também ocorreu enquanto Netanyahu enfrenta processos por corrupção, nos quais nega as acusações.

Essas questões contribuíram para uma campanha marcada por divergências profundas sobre os rumos políticos e militares de Israel.

Presidente de Israel deverá conduzir consultas para formar governo

Com o encerramento da apuração, o presidente israelense, Isaac Herzog, deverá iniciar consultas com os partidos representados no Parlamento.

O objetivo será identificar qual líder possui melhores condições de reunir apoio suficiente para formar uma coalizão.

O presidente não precisa necessariamente escolher o dirigente do partido com maior número de cadeiras. A decisão considera as recomendações das legendas e a possibilidade de construção de uma maioria parlamentar.

Herzog afirmou que o país deve evitar uma nova eleição e pediu disposição dos líderes políticos para negociar.

As consultas deverão começar na próxima semana, depois da divulgação dos resultados oficiais.

Caso nenhum dos candidatos consiga formar uma coalizão dentro dos prazos legais, poderão ser realizadas novas tentativas de composição parlamentar.

Se o impasse persistir, Israel poderá enfrentar outra eleição.

Trump acompanha resultado e futuro político de Netanyahu

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também comentou a disputa eleitoral israelense.

Questionado sobre os resultados, Trump afirmou que Netanyahu parecia ter obtido um desempenho positivo, embora a composição final do Parlamento ainda estivesse indefinida.

Os Estados Unidos são um dos principais aliados diplomáticos e militares de Israel, e as decisões do próximo governo poderão influenciar diretamente as relações entre os dois países.

A política em relação ao Irã, as operações militares na região e as negociações envolvendo os territórios palestinos estão entre os assuntos que deverão permanecer na agenda bilateral.

Analistas políticos também discutem a possibilidade de uma coalizão de unidade nacional envolvendo forças atualmente adversárias, mas não existe acordo anunciado nesse sentido.

O que acontece agora em Israel

A contagem dos votos ainda precisa ser concluída, incluindo cédulas de militares, eleitores em determinadas instituições e cidadãos que utilizaram procedimentos especiais de votação.

Esses votos podem alterar a distribuição final das cadeiras.

Depois da confirmação oficial do resultado, começará a etapa de negociações para a formação de um novo governo.

Enquanto não houver uma coalizão capaz de assumir o poder, Netanyahu poderá permanecer como primeiro-ministro interino.

O cenário deixa três possibilidades principais em discussão: a formação de uma nova coalizão liderada por Netanyahu, a construção de um governo alternativo articulado por Eisenkot ou a continuidade do impasse político, com possibilidade de outra eleição.

Por enquanto, o resultado das urnas não garante a permanência de Netanyahu nem a chegada de Eisenkot ao poder.

A definição dependerá menos da vantagem numérica entre os partidos e mais da capacidade de seus líderes de reunir uma maioria parlamentar.