Presidente argentino e ex-deputado brasileiro participam de evento em Washington, enquanto cresce a discussão sobre uma possível indicação de Eduardo para ministro das Relações Exteriores em eventual governo de Flávio Bolsonaro.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o presidente da Argentina, Javier Milei, devem se encontrar nesta quarta-feira (14), em Washington, nos Estados Unidos. A aproximação acontece em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Argentina e de especulações sobre o futuro político de Eduardo, irmão do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).
Os dois estão confirmados como participantes da Official Hispanic Heritage Gala, evento privado que celebra a contribuição da comunidade hispânica nos Estados Unidos. A programação é organizada pela Latino Wall Street e conta com a participação de representantes políticos e empresariais.
Segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira, Milei e Eduardo devem discursar durante a cerimônia. Até a manhã desta quarta-feira, entretanto, não havia confirmação oficial de uma reunião reservada entre os dois.
Eduardo Bolsonaro pode assumir o Itamaraty?
O encontro ocorre em meio a discussões sobre a possibilidade de Eduardo Bolsonaro assumir o Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial.
De acordo com reportagem da jornalista Janaína Figueiredo, publicada pelo UOL, o nome de Eduardo tem sido mencionado nas conversas sobre a composição de um eventual governo do irmão.
Apesar das especulações, integrantes da campanha de Flávio afirmaram que nenhuma decisão foi tomada sobre o comando da diplomacia brasileira.
A ex-ministra da Agricultura e atual senadora Tereza Cristina (PP) também aparece entre os nomes discutidos para a função.
Eduardo Bolsonaro tem demonstrado interesse em assuntos internacionais e mantém relações políticas com lideranças conservadoras de outros países, incluindo Milei e integrantes do movimento político ligado ao presidente americano Donald Trump.
Relações entre Brasil e Argentina atravessam período de tensão
A aproximação entre Eduardo Bolsonaro e Javier Milei ocorre em um momento delicado para as relações diplomáticas entre os dois maiores parceiros do Mercosul.
As divergências entre Milei e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se intensificaram após declarações do argentino durante a convenção do Partido Liberal, realizada em julho, quando manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Na ocasião, Milei fez ataques públicos a Lula e a autoridades brasileiras, provocando uma reação diplomática do governo brasileiro.
Desde então, as relações entre Brasília e Buenos Aires permanecem estremecidas, com redução da representação diplomática entre os dois países.
Apesar das diferenças políticas, Brasil e Argentina mantêm importantes vínculos comerciais, econômicos e institucionais, especialmente por meio do Mercosul.
Comércio, segurança e Mercosul podem entrar na conversa
Segundo fontes próximas a Eduardo Bolsonaro ouvidas pela coluna do UOL, a expectativa é que o contato com Milei permita discutir perspectivas de fortalecimento das relações entre Brasil e Argentina.
Entre os temas mencionados estão a cooperação regional em segurança, a integração da infraestrutura, o comércio bilateral, os investimentos e o futuro do Mercosul.
A agenda, entretanto, não representa uma negociação oficial em nome do governo brasileiro. Eduardo Bolsonaro não ocupa atualmente um cargo no Ministério das Relações Exteriores.
Encontro acontece às vésperas do segundo turno
A participação dos dois políticos no evento em Washington ocorre a 11 dias do segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para 25 de outubro.
Milei já declarou publicamente seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e mantém proximidade política com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A possibilidade de Eduardo assumir a diplomacia brasileira também desperta reações entre integrantes do Itamaraty, especialmente após declarações nas quais o ex-deputado criticou diplomatas e defendeu mudanças na estrutura do ministério.
Por enquanto, não existe indicação oficial para o cargo. A definição sobre quem comandaria o Ministério das Relações Exteriores dependerá do resultado da eleição e das decisões do próximo presidente.
O encontro em Washington deverá ser acompanhado com atenção por representantes políticos e diplomáticos, diante das possíveis implicações para as relações entre Brasil, Argentina e Estados Unidos.
