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China e Rússia acusam EUA de violar direito internacional após captura de Nicolás Maduro


China e Rússia acusaram nesta terça-feira os Estados Unidos de “bullying”, “hipocrisia” e “cinismo” durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O encontro foi convocado após a operação norte-americana que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em território venezuelano, sem autorização do governo local ou do Conselho de Segurança.

Durante a sessão, representantes dos dois países afirmaram que a ação norte-americana configura uma grave violação do direito internacional e um ataque direto à soberania da Venezuela. A China declarou estar “profundamente chocada” com a operação e condenou o que classificou como a postura de “polícia internacional” adotada por Washington. Segundo o embaixador chinês, permitir esse tipo de ação abre um precedente perigoso para a ordem internacional e para a estabilidade global.

A Rússia foi ainda mais dura nas críticas. O representante russo exigiu a libertação imediata de Nicolás Maduro e afirmou que os Estados Unidos agiram de forma “unilateral e ilegal”, ignorando normas básicas do sistema internacional. Moscou também acusou a Casa Branca de usar o discurso de defesa da democracia como justificativa para intervenções que desrespeitam a soberania de outros países.

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A vice-secretária-geral da ONU responsável por assuntos políticos afirmou que a organização acompanha o caso com “grande preocupação”. Segundo ela, há indícios de que a operação não respeitou princípios fundamentais do direito internacional, como a não intervenção e o respeito à soberania dos Estados-membros. A ONU pediu moderação às partes envolvidas e destacou a importância de soluções diplomáticas para crises internacionais.

Em resposta às críticas, os Estados Unidos defenderam a operação como uma ação legítima de “cumprimento da lei”. A delegação norte-americana afirmou que Nicolás Maduro é considerado fugitivo da Justiça por acusações relacionadas a crimes internacionais e que sua captura estaria alinhada com o combate à impunidade. Washington, no entanto, não detalhou os termos legais da operação nem esclareceu se houve cooperação internacional formal.

O governo venezuelano classificou a ação como um “sequestro” e anunciou que recorrerá a instâncias internacionais. Manifestações de apoio a Maduro foram registradas em Caracas e em outras cidades do país, enquanto aliados regionais demonstraram preocupação com a escalada da crise.

O Brasil também deve se manifestar no Conselho de Segurança. Segundo fontes diplomáticas, a delegação brasileira pretende condenar a operação militar norte-americana e reafirmar a defesa da soberania da Venezuela e do respeito ao direito internacional, mantendo a tradição da política externa brasileira de não intervenção.

A reunião terminou sem consenso entre os membros do Conselho de Segurança, refletindo a profunda divisão entre as potências internacionais. O caso deve continuar sendo debatido nos próximos dias e pode resultar em novas sessões da ONU ou em pedidos formais de investigação sobre a legalidade da operação.