ESTADOS UNIDOS | IMIGRAÇÃO | 14 DE OUTUBRO DE 2026
Executivo do Morgan Stanley contesta as circunstâncias da abordagem policial e tenta obter liberdade na Justiça Federal americana. Brasileiro afirma estar há mais de dois meses sob custódia migratória.
Um executivo brasileiro de 40 anos, funcionário do banco Morgan Stanley, está há mais de dois meses sob custódia de autoridades migratórias dos Estados Unidos após ser detido sob acusação de dirigir alcoolizado na região de Tampa, na Flórida.
Identificado como Andros Garcia Maldaner, o brasileiro afirma que vivia legalmente no país, possuía autorização de trabalho e aguardava a conclusão de seu processo de obtenção do green card, documento de residência permanente nos Estados Unidos.
A prisão teve origem em uma abordagem de trânsito realizada em 30 de julho. Depois do episódio, Maldaner acabou transferido para a custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE).
O executivo contesta as circunstâncias da ocorrência e tenta obter sua libertação por meio de uma ação apresentada à Justiça Federal americana.
Abordagem policial ocorreu quando brasileiro voltava do trabalho
Segundo o relatório policial, Maldaner dirigia de maneira irregular, fazendo movimentos em zigue-zague, quando foi observado pelas autoridades na região metropolitana de Tampa.
Os agentes relataram que o motorista não obedeceu imediatamente à ordem de parada e que seu veículo acabou atingindo uma viatura durante a ocorrência.
De acordo com o documento, o brasileiro afirmou aos policiais que havia passado mal após tomar um medicamento e consumir duas taças de vinho.
Os testes de bafômetro registraram índices de 0,230 e 0,221, valores superiores ao limite legal de 0,08 estabelecido para motoristas adultos na Flórida.
A acusação de dirigir sob influência de álcool ou outras substâncias, conhecida nos Estados Unidos pela sigla DUI (Driving Under the Influence), deu origem ao procedimento policial.
Os resultados apresentados pelas autoridades integram o relatório da ocorrência. A responsabilidade criminal do executivo depende da análise das provas e das decisões judiciais.
Brasileiro afirma que estava legalmente nos Estados Unidos
Maldaner vive nos Estados Unidos desde 2018 e, segundo as informações apresentadas por sua defesa, possuía autorização para trabalhar enquanto aguardava a análise de seu pedido de residência permanente.
O executivo trabalhava no Morgan Stanley quando ocorreu a abordagem policial.
A existência de um pedido de green card em andamento, porém, não significa que a residência permanente já tenha sido concedida.
Da mesma forma, uma autorização de trabalho não impede automaticamente que uma pessoa seja submetida a procedimentos de fiscalização ou detenção migratória.
No caso de Maldaner, ainda é necessário esclarecer quais fundamentos legais foram utilizados pelas autoridades americanas para manter sua custódia pelo ICE.
Executivo denuncia condições de detenção na Flórida
Há mais de dois meses sob custódia migratória, o brasileiro relata dificuldades relacionadas às condições do centro de detenção onde permanece.
Entre as reclamações apresentadas estão superlotação, obstáculos para conseguir atendimento médico e interrupção do fornecimento de medicamentos utilizados regularmente.
As denúncias são atribuídas ao executivo e precisam ser analisadas pelas autoridades responsáveis.
Não foram apresentados, nas informações disponíveis, resultados de uma inspeção independente que confirmem todas as condições relatadas.
Justiça Federal cobra resposta das autoridades americanas
Para contestar a detenção, a defesa de Maldaner apresentou um pedido de habeas corpus à Justiça Federal dos Estados Unidos.
O instrumento jurídico busca questionar a legalidade da privação de liberdade e permitir que um juiz examine os fundamentos utilizados pelas autoridades.
Segundo as informações divulgadas sobre o processo, um juiz federal determinou que o governo americano apresente uma resposta até 29 de outubro de 2026.
A determinação não significa que a libertação tenha sido concedida. O pedido continua sujeito à análise judicial.
Itamaraty acompanha a situação do brasileiro
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que acompanha o caso.
O acompanhamento consular pode envolver assistência ao cidadão brasileiro, comunicação com familiares e contatos com as autoridades locais, respeitando os limites da legislação americana.
Até o momento, não há confirmação de uma decisão definitiva sobre a permanência de Maldaner nos Estados Unidos, eventual deportação ou concessão de liberdade.
O caso envolve duas questões distintas: a acusação de trânsito apresentada pelas autoridades da Flórida e a legalidade da detenção migratória, atualmente questionada na Justiça Federal.
