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Amigo de Flávio Bolsonaro vai à Justiça para tentar barrar Richarlison de falar sobre ilha de R$ 10 milhões
Brasil | Política e Justiça

Amigo de Flávio Bolsonaro vai à Justiça para tentar barrar Richarlison de falar sobre ilha de R$ 10 milhões

Advogado Willer Tomaz pediu multa de até R$ 50 mil por publicação do jogador sobre disputa por imóvel em Angra dos Reis. Justiça rejeitou o pedido de urgência e alertou para o risco de censura prévia.


Uma disputa envolvendo o atacante Richarlison, o advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou um novo capítulo na Justiça. Amigo do candidato à Presidência, Tomaz entrou com uma ação para tentar impedir que o jogador publique ou compartilhe conteúdos afirmando que perdeu uma ilha em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, em uma negociação contestada.

Richarlison afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões no imóvel e acusa Flávio Bolsonaro e o advogado de terem se beneficiado de decisões judiciais que resultaram na transferência dos direitos de ocupação da área para uma empresa de Tomaz.

O advogado nega qualquer irregularidade e sustenta que sua empresa adquiriu legalmente os direitos sobre a propriedade. Flávio Bolsonaro também nega participação na disputa pelo imóvel.

O pedido apresentado por Tomaz foi rejeitado em caráter de urgência pela Justiça do Distrito Federal, que apontou risco de violação à liberdade de expressão. O processo, entretanto, continua em andamento.

Advogado pediu multa de R$ 50 mil por publicação

A ação foi apresentada em 29 de julho por Willer Tomaz e sua empresa, WT Administração de Bens e Imóveis.

O advogado solicitou uma medida judicial para impedir Richarlison de publicar, compartilhar ou republicar conteúdos que afirmassem ou sugerissem que a ilha havia sido tomada do jogador ou que ele teria sido vítima de um golpe relacionado ao imóvel.

O pedido abrangia publicações futuras em diferentes redes sociais, incluindo comentários e republicações de conteúdos produzidos por outras pessoas.

Tomaz solicitou multa mínima de R$ 50 mil por publicação considerada irregular, além de outros R$ 50 mil por dia em que o conteúdo permanecesse disponível.

A ação também inclui um pedido de indenização de R$ 200 mil por danos morais.

Segundo o advogado, as declarações do jogador divulgariam informações falsas sobre a situação jurídica da propriedade.

Juiz rejeita restrição e alerta para censura prévia

Em decisão de 13 de agosto, o juiz Giordano Resende Costa, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), negou o pedido de urgência.

O magistrado considerou que a tentativa de impedir manifestações futuras e ainda não determinadas poderia representar uma forma de censura prévia, proibida pela Constituição brasileira.

A decisão destacou que a liberdade de expressão não impede a responsabilização posterior por eventuais abusos, mas não autoriza automaticamente a proibição antecipada de manifestações.

O juiz também observou que parte das publicações questionadas estava relacionada à associação do nome de Flávio Bolsonaro à disputa imobiliária.

Diante disso, levantou a questão de saber se a ação estaria buscando proteger interesses de uma terceira pessoa, situação que exige análise das regras processuais.

A decisão não resolveu definitivamente a disputa nem estabeleceu se as declarações de Richarlison são verdadeiras ou falsas.

Richarlison diz que perdeu R$ 10 milhões após recusar venda da ilha

A controvérsia ganhou grande repercussão depois que Richarlison divulgou um vídeo de aproximadamente três minutos em seu Instagram, apresentando sua versão sobre o caso.

O jogador afirma que investiu cerca de R$ 10 milhões em uma propriedade localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis.

Segundo ele, a negociação ocorreu durante a pandemia, envolvendo também Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG, e Renato Velasco, que foi empresário do atacante.

Richarlison relata que Flávio Bolsonaro demonstrou interesse em adquirir a ilha, chegando a registrar imagens aéreas da propriedade com um drone.

O atleta afirma que não aceitou vender o imóvel e que, posteriormente, decisões judiciais favoreceram a empresa ligada a Willer Tomaz.

No vídeo, Richarlison acusa os envolvidos de terem obtido os direitos sobre a área de maneira indevida.

Essas afirmações representam a versão do jogador e não constituem comprovação judicial de fraude.

A publicação alcançou enorme repercussão nas redes sociais, aproximando-se de 30 milhões de visualizações, segundo informações divulgadas pela imprensa.

Entenda como começou a disputa pela ilha em Angra dos Reis

A disputa judicial envolve direitos de ocupação sobre um imóvel localizado na Ilha Comprida.

Em 2023, a empresa Sport 70 Intermediação de Negócios ingressou com uma ação contra a WT Administração de Imóveis, ligada a Willer Tomaz.

A Sport 70 buscava o reconhecimento de direitos sobre a área e a anulação de atos jurídicos que haviam beneficiado a empresa do advogado.

Entre os sócios da Sport 70 está Renato Velasco, ex-empresário de Richarlison.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu favoravelmente à empresa de Tomaz.

O processo chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve o entendimento em maio de 2025.

No final daquele ano, a Sport 70 desistiu das reivindicações apresentadas no processo, levando à extinção da ação.

É importante distinguir os direitos de ocupação discutidos judicialmente da propriedade plena da ilha. As decisões mencionadas tratam dos direitos reivindicados pelas empresas sobre a área.

Willer Tomaz contesta acusações e desafia jogador a apresentar documentos

Em manifestação divulgada após a repercussão do caso, Willer Tomaz afirmou que sua iniciativa judicial não pretende impedir Richarlison de se manifestar livremente, mas evitar a divulgação de informações que considera falsas.

O advogado sustenta que a WT adquiriu regularmente os direitos de ocupação da área e de uma casa existente no local.

Tomaz também argumenta que Richarlison não participou formalmente como parte dos processos judiciais sobre o imóvel.

Segundo sua defesa, a empresa Sport 70 perdeu as disputas judiciais e posteriormente desistiu das reivindicações.

O advogado afirma ainda que a Sport 70 declarou ter pago R$ 2,6 milhões a ocupantes sem título formal sobre a área.

Tomaz desafiou Richarlison a apresentar documentos anteriores a julho de 2022 que comprovem seus direitos sobre a propriedade, acompanhados de comprovantes do investimento de R$ 10 milhões mencionado pelo atleta.

O advogado declarou que, caso a documentação apresentada seja válida, estaria disposto a transferir os direitos sobre o imóvel sem cobrança.

Flávio Bolsonaro nega envolvimento na disputa

O nome de Flávio Bolsonaro aparece no episódio por causa de sua amizade com Willer Tomaz e das acusações feitas publicamente por Richarlison.

O senador, entretanto, nega ter participado de qualquer irregularidade relacionada à ilha.

Flávio afirma que foi incluído apenas como testemunha pela empresa ligada ao jogador durante a disputa judicial.

A proximidade entre o senador e Tomaz também passou a receber atenção devido a outras investigações envolvendo o advogado.

Segundo reportagens divulgadas nesta semana, a Polícia Federal apura suspeitas de movimentações financeiras envolvendo a relação entre os dois.

Flávio e Tomaz negam irregularidades e afirmam não manter relações comerciais ilícitas.

As investigações mencionadas são distintas da disputa imobiliária e não comprovam, por si só, qualquer participação irregular do senador no caso da ilha.

Caso chega ao Ministério Público Federal

Após a divulgação do vídeo de Richarlison, um grupo de advogados apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) solicitando investigação sobre possíveis irregularidades relacionadas à disputa.

A iniciativa foi apresentada pelo coletivo Derrubando Muros e contou com a participação de juristas como Miguel Reale Júnior e Conrado Hübner Mendes.

A representação questiona circunstâncias do processo que resultou no reconhecimento dos direitos de ocupação da área pela empresa de Tomaz.

Entre as suspeitas levantadas está a possibilidade de advocacia administrativa, crime relacionado ao uso indevido da influência de um agente público para favorecer interesses particulares.

A apresentação de uma representação ao MPF não significa que as irregularidades tenham sido comprovadas ou que exista uma denúncia criminal formal contra os envolvidos.

Cabe às autoridades avaliar os fatos e decidir sobre eventuais providências investigativas.

Jogador pede investigação e diz que pretende ajudar hospital

Richarlison também pediu publicamente que a Polícia Federal investigue as circunstâncias envolvendo a ilha.

O atacante afirmou que, caso consiga recuperar o dinheiro que diz ter perdido, pretende destinar parte do valor a um hospital de Nova Venécia, no Espírito Santo, sua cidade natal.

O episódio ampliou a repercussão da disputa, que deixou de ser apenas uma controvérsia imobiliária para envolver discussões sobre liberdade de expressão, decisões judiciais e possíveis responsabilidades de pessoas ligadas à política.

Até o momento, não há decisão definitiva na ação apresentada por Willer Tomaz para restringir as publicações de Richarlison.

A Justiça negou a medida de urgência, mas o processo continua em tramitação.

Enquanto isso, o jogador mantém suas acusações, o advogado contesta sua versão e Flávio Bolsonaro nega qualquer participação irregular no caso.