No primeiro dia de funcionamento do restaurante, Maritza Kearton foi trabalhar de salto alto. Ainda não sabia o que significava passar oito ou nove horas em pé, acompanhando o salão e a cozinha. A escolha do sapato, lembrada com bom humor em entrevista à Rádio Brazil Atlanta, virou uma pequena lição prática de uma mudança muito maior: ela e o marido, Andrew, haviam deixado a vida corporativa para abrir o próprio negócio.
Do lado de fora, o mundo enfrentava a pandemia. Dentro do restaurante, o casal precisava aprender uma profissão, formar uma equipe e receber os primeiros clientes entre máscaras, distanciamento e reservas.
Foi nesse cenário que começou a trajetória do Modena Ristorante Vinoteca, em Marietta. Um restaurante de inspiração italiana cuja história também passa por Porto Rico, pela Inglaterra e pelo Brasil.
Abrir na pandemia exigiu aprender um passo de cada vez
Quando a pandemia chegou, o imóvel já estava alugado e as contas continuavam vencendo. Segundo Maritza, adiar indefinidamente a abertura não era uma opção. O projeto concentrava o investimento e a aposta do casal em uma nova etapa de vida.
A experiência empresarial ajudava na gestão, mas a rotina de um restaurante ainda precisava ser aprendida. A primeira equipe incluía jovens de uma escola da região, em um período no qual encontrar profissionais também era um desafio.
O atendimento por reservas permitiu controlar o movimento e organizar o treinamento do salão e da cozinha. A expansão aconteceu gradualmente: primeiro quatro dias por semana, depois cinco, seis e, mais adiante, novos períodos de serviço.
Na avaliação da proprietária, aquelas limitações deram ao negócio uma oportunidade inesperada de crescer no ritmo em que a equipe conseguia se preparar. Cada etapa chegava depois do aprendizado da anterior.
Porto Rico, Inglaterra e uma passagem pelo Brasil
Maritza é porto-riquenha, tem avós italianos e contou à RBA que morou no Brasil durante seis meses, em 1998. Andrew é inglês e viveu no norte da Itália, experiência que ajudou a orientar a identidade gastronômica da casa.
Ao conversar com a audiência brasileira, Maritza destacou o gosto pela proximidade, pela conversa e por fazer o visitante se sentir à vontade.
O casal mora perto do restaurante. Desde o início, queria criar um lugar onde amigos e vizinhos pudessem se reunir com a naturalidade de um encontro em casa.
Com o tempo, alguns clientes se tornaram amigos. Maritza contou que várias dessas relações começaram no balcão do bar e passaram a fazer parte da vida do casal. A convivência também permitiu acompanhar noivados e mudanças na vida dos funcionários.
Para ela, a hospitalidade começa dentro da equipe. O respeito aos profissionais do atendimento é parte da maneira como o restaurante funciona e, em sua avaliação, contribui para a permanência dos funcionários.
O chef que começou aos 14 anos
Na cozinha, a história de aprendizado vem de mais longe. O chef executivo John começou a trabalhar em um restaurante de Michigan aos 14 anos. Aos 18, segundo contou à RBA, já sabia preparar todos os pratos do cardápio e era responsável pelo fechamento.
Depois de uma passagem pela faculdade, encontrou na formação prática com outro chef o caminho que queria seguir. Aos 24 anos, já havia se tornado chef.
A trajetória incluiu trabalhos em Ohio e cinco anos viajando pelos Estados Unidos como diretor de treinamento de uma empresa sediada em Chicago.
No Modena, John descreve uma cozinha de ingredientes frescos, inspirada principalmente no norte da Itália, mas aberta a outras regiões do país.
O cardápio combina pratos que permanecem, como o espaguete à bolonhesa, com opções que mudam mensalmente ou acompanham as estações. A ideia é permitir que o cliente reencontre um favorito e tenha também algo novo para experimentar.
Entre os especiais de outono apresentados durante a entrevista, o chef mencionou uma garoupa de inspiração mediterrânea, acompanhada de azeitonas e tomates, e um corte suíno preparado na grelha e no forno, com finalização de balsâmico.
O forno veio da Itália e a pizza faz o chef voltar
Quando a conversa chegou às pizzas, John revelou um hábito pessoal: às vezes passa no restaurante perto do fechamento, em uma quinta-feira, para buscar uma.
O forno a lenha ocupa um lugar importante na cozinha. Fabricado pela Pavesi e importado da cidade italiana de Modena, ele integra o ambiente aberto, permitindo acompanhar parte do trabalho da equipe.
Na explicação do chef, o calor intenso contribui para as bordas tostadas e a textura crocante que ele aprecia.
A entrevista também abordou adaptações para diferentes preferências alimentares. Ao ser perguntado sobre opções para quem não come carne suína, John explicou que determinados preparos podem ser ajustados porque os ingredientes são incorporados na hora do pedido.
Ele citou a possibilidade de retirar a pancetta de uma receita e mencionou duas opções de massas sem glúten. Os ajustes dependem do prato e precisam ser combinados com a equipe. Pessoas com alergias devem informar suas restrições antes de fazer o pedido.
Vinhos ajudam a conhecer outras regiões
Andrew cuida da seleção de vinhos e atua como sommelier da casa. Segundo Maritza, as degustações mensais aproximam a bebida da comida e apresentam diferentes regiões produtoras.
A proposta é selecionar os vinhos e preparar um menu que dialogue com sua origem. Em outras ocasiões, os especiais exploram pratos de determinada região italiana, acompanhados por rótulos daquela mesma área.
Para o visitante, a experiência abre espaço para perguntas sobre os estilos de vinho e as escolhas de harmonização. Datas, menus, valores e disponibilidade devem ser consultados diretamente com o restaurante.
Crianças também podem colocar a mão na massa
Os domingos abriram espaço para outra experiência. Ao perceber a presença de famílias no brunch, a equipe começou a organizar atividades nas quais as crianças montam suas próprias pizzas.
Maritza contou sobre uma celebração com onze participantes. Cada criança recebeu avental, massa e ingredientes, com orientação do pizzaiolo. Depois do preparo e de as pizzas passarem pelo forno, veio a oportunidade de experimentar a própria criação.
Na ocasião da entrevista, a iniciativa ainda era recente, com duas experiências realizadas. A proposta pode atender comemorações infantis, mediante consulta e organização prévia.
A proprietária esclareceu que não há um cardápio infantil separado, embora alguns pratos, como massas, possam ser preparados para as crianças.
Para a semana de Thanksgiving, Maritza também adiantou a intenção de oferecer um menu especial com opções para compartilhar em família. Segundo ela, o restaurante ficará fechado no dia do feriado. A programação e as condições precisam ser confirmadas com a casa.
Uma mesa que aproxima vizinhos
Para os brasileiros da região de Atlanta, conhecer o Modena é também encontrar uma história familiar a quem já precisou recomeçar: deixar uma rotina conhecida, aprender outro ofício e construir relações em torno de um novo projeto.
O restaurante que estreou entre máscaras e reservas passou a fazer parte da vida de pessoas que voltam para jantar, conversar e celebrar.
Nas entrevistas à RBA, as histórias da proprietária e do chef se encontraram nesse cuidado com o que chega à mesa e com quem se senta ao redor dela.
Maritza ainda se lembra do salto alto do primeiro dia. Hoje, tem também as histórias de clientes que chegaram para uma refeição e ficaram como amigos.
Serviço — Modena Ristorante Vinoteca
Endereço: 3412 Ernest W Barrett Pkwy NW, Marietta, GA 30064.
Funcionamento divulgado: terça a quinta, das 16h30 às 21h; sexta e sábado, das 16h30 às 22h; domingo, das 11h às 21h. Fechado às segundas.
Brunch: aos domingos; consulte o horário específico.
Reservas, degustações e atividades infantis: consulte datas, valores e disponibilidade diretamente com o restaurante.
Telefone: (770) 635-8851.
Site: modenaristorante.com.
Instagram: @modenaristorante.
Horários e programação sujeitos a alterações. Confirme as informações antes da visita.
